Rio de Janeiro, 15 de Março de 2026

HH endurece o discurso e parte para a resistência nas ruas

A despedida da senadora Heloísa Helena da cena congressual, na noite desta quarta-feira, marcou o início da resistência da candidata derrotada à Presidência da República, nas ruas do país. (Leia Mais)

Quinta, 14 de Dezembro de 2006 às 09:17, por: CdB

A despedida da senadora Heloísa Helena da cena congressual, na noite desta quarta-feira, marcou o início da resistência da candidata derrotada à Presidência da República, nas ruas do país. O Partido do Socialismo com Liberdade (PSol) realizará no Rio, à partir das 10h deste sábado, uma intensa mobilização no Largo do Machado, Flamengo, Zona Sul do Rio, para angariar novos adeptos e aumentar o seu poder político para as próximas eleições.

O tom de despedida da senadora, embora terno, endureceu porém na manhã desta quinta-feira, em entrevista concedida a jornalistas em seu gabinete. Ela afirmou que termina o seu mandato de consciência tranqüila por não ter se vendido aos esquemas de corrupção e fez um balanço de seus oito anos de mandato na Casa.

- Posso não ter ajudado tanto quanto eu queria ajudar o Brasil. Se eu não ajudei a mudar, tenho a consciência tranqüila que não o apodreci mais. Não o tornei mais corrupto e insensível. Dei tudo que era possível de minha parte para ajudar o Brasil - afirmou a senadora.

Presidente nacional do PSOL, Heloísa cogita participar das manifestações agendadas para o fim de semana no Rio e garantiu que continuará à frente do partido; além de voltar às salas de aula na Universidade Federal de Alagoas.

- Vou exercer meu mandato até o final de janeiro, mas laços devem ser rompidos o mais rapidamente possível. Estou de consciência tranqüila. Não me curvei ao dinheiro, à ambição, a cargos de prestígio, poder, a esse banditismo políticos, vantagens aparentes que interessam aos espíritos fracos - afirmou.

Heloísa afirmou, ainda, que aprendeu muito durante a permanência de oito anos no Senado:

- Digo sempre que aprendi com todos, com os covardes, os comerciantes de sentimentos, de valores morais, ao olhá-los sei que jamais serei igual a eles. Aprendi com outros, que defendem o que acreditam. E consegui suportar a perseguição invejosa e inescrupulosa de gente traiçoeira - avaliou.

Apoio explícito

A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) recebeu o apoio e a solidariedade de um grande número de senadores - 35 apartes - em sua despedida nesta quarta-feira, da tribuna do Senado. A senadora mal conseguiu fazer um pronunciamento formal, uma vez que, muito emocionada, chorou durante quase três horas diante de apartes elogiosos que lhe fizeram seus pares, a maioria lamentando sua saída do Senado e enaltecendo sua coragem e determinação.

A senadora só conseguiu se pronunciar ao final do seu tempo de discurso. E usou sua retórica para criticar "os mercenários bárbaros, contra quem lutei durante quase toda minha vida política, enfrentando o ódio e até ameaças de morte".

- Eu, às vezes, não acreditava que iria ter forças para enfrentar. Mas o amor pela humanidade me motivou - disse, referindo-se à campanha política para a presidente da República.

Heloísa começou seu discurso agradecendo aos senadores e aos funcionários do seu gabinete e aos demais servidores do Senado pela colaboração e pela convivência, quando começou a chorar. Foi aparteada pelo senador Jefferson Péres (PDT-AM), que fez sua intervenção de pé, "para participar de uma despedida que nunca me comoveu tanto", conforme fez questão de frisar. Em seguida foi o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) que, ressaltando sua admiração pela senadora, disse que "ela foi capaz de se imolar por suas convicções".

Outros senadores, como Romeu Tuma (PFL-SP), lembraram as adversidades que Heloísa enfrentou na sua trajetória no Senado. Para Tuma, a senadora "honrou a campanha presidencial". O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) destacou a convivência que tiveram na bancada do PT e elogiou o PSOL, partido fundado pela senadora.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), assinalou que, logo que conheceu a senadora, percebeu que nos seus momentos mais exaltados "havia a mais profundaindignação". Para Magno Malta (PL-ES) ela "encarnou a luta pelos menos favorecidos, vot

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