O comando da Unifil (a força de paz da ONU no sul do Líbano) diz desconhecer a existência dessas estradas e afirma ter autonomia para patrulhar todas as estradas da região.
Mas pessoas próximas ao Hezbollah afirmam que as tropas da ONU não têm acesso às novas estradas.
Um ano depois do início da guerra de 34 dias entre Israel e o Hezbollah, em 12 de julho de 2006, pouco mudou na região.
O Hezbollah continua se rearmando, aparentemente usando estradas locais para o transporte ilegal de armamento. Outros novos trajetos estão sendo construídos com o provável objetivo de alimentar o braço militar do grupo xiita.
De acordo com fontes do Hezbollah e do governo, o grupo xiita teria, antes da guerra, em torno de 10 mil mísseis e foguetes. Agora, esse número já estaria entre 20 mil e 30 mil.
A empresa pavimenta a estrada, que passa por pequenas cidades onde bandeiras amarelas da milícia xiita decoram cada poste de luz ou casa.
Tormuz já foi deputado no Parlamento libanês de 1996 a 2000. Ele também tem cidadania paraguaia (morou muitos anos em Cuidad del Leste, no Paraguai).
Hoje Tormuz é líder da região de Talloussa, responsável por 15 cidades da área, inclusive Et Taibeh, onde há duas semanas foguetes Katiusha foram disparados contra Israel por um grupo ainda desconhecido.
Após uma longa viagem, em que não foi permitido visualizar o trajeto, a paisagem muda. Uma nova estrada, desta vez pavimentada, passa por colinas cobertas de árvores e uma ponte atravessa o famoso Rio Litani.
- Aqui, durante a guerra do ano passado, 40 tanques israelenses foram emboscados e destruídos - disse Tormuz.
O conflito, que teve início após o grupo xiita atacar uma patrulha israelense e capturar dois soldados na fronteira, matou mais de 1,2 mil libaneses (a maioria civis) e 157 israelenses (a maioria militares).
Israel não passou por este vale à toa.
- Nestas colinas estão escondidas parte das armas da ‘resistência’. O erro dos israelenses foi achar que com ataques aéreos eles destruiriam tudo.
Rede de túneis
Segundo Tormuz, há uma extensa rede de túneis nas colinas, e membros do Hezbollah montam posição na colina para ‘observar’ os intrusos.
Logo, dois jovens em uma motocicleta chegaram para conversar portando walkie-talkies. Tormuz explicou quem era ele e que tinha autorização para estar ali.
Os jovens, aparentando cerca de 20 anos, deixaram o local após consultar alguém pelos rádios. Não aceitaram falar, mas Tormuz explicou que estavam nos observando de longe, de dentro da floresta.
- Todo mundo sabe que estas estradas existem, isso não é segredo. O Exército libanês, a Unifil e até Israel sabem o que há aqui e que são usadas para transportar armas para a resistência. Mas ninguém se atreve a entrar nestas estradas.
Questionado