Guerrilheiros do Hezbollah e tropas de Israel entraram em choque na entrada de uma cidade do sul do Líbano, nesta quarta-feira, e emissoras árabes de televisão disseram que até 13 soldados israelenses morreram nos conflitos.
Segundo forças de segurança libanesas, os intensos combates começaram quando militares de Israel que controlavam uma colina próxima tentaram avançar para a entrada principal da cidade de Bint Jbeil, um reduto do Hezbollah localizado a 4 quilômetros da fronteira entre os dois países.
Os guerrilheiros emboscaram os soldados, dando início a combates diretos. Membros do Hezbollah afirmaram que o destacamento avançado de Israel ficou sem comunicação e que a maior parte dos veículos dele foram destruídos. Os soldados teriam sido atingidos. As fontes do Hezbollah estimaram ter ferido 35 soldados e que as tentativas de Israel de resgatá-los fracassara.
- Nossos homens conseguem ouvir o grito dos feridos pedindo ajuda - afirmou um integrante da guerrilha.
O canal de TV Al Jazeera disse que 13 soldados tinham sido mortos. Segundo a Al Arabiya Television, o número de baixas entre os israelenses era de 12.
Tal cifra pode ser a pior baixa sofrida pelos militares de Israel desde que lançaram uma ofensiva contra o Hezbollah, há mais de duas semanas.
Meios de comunicação israelenses afirmaram que até 13 militares tinham ficado feridos. Um porta-voz do Exército disse poder confirmar apenas que vários soldados estavam feridos.
As forças israelenses travam combates há dias para assumir o controle de Bint Jbeil depois de terem, na semana passada, invadido um vilarejo que fica mais perto da fronteira. O Exército estima ter matado até 30 guerrilheiros na batalha por Bint Jbeil, onde moram 4 mil pessoas. O Hezbollah disse ter perdido, até agora, 10 combatentes.
Até os choques mais recentes, nove soldados de Israel tinham sido mortos na ofensiva por terra lançada no sul do Líbano.
Ataques
Enquanto a violência aumentava em Bint Jbeil, aviões israelenses lançaram mais de 50 ataques contra alvos em todo o sul libanês.
Oficiais de alta patente das Forças Armadas de Israel descreveram Bint Jbeil como o principal posto avançado do Hezbollah na região, onde o Estado judaico deu início a uma ofensiva após o grupo guerrilheiro ter matado oito de seus soldados e ter capturado outros dois, em uma operação realizada a partir do Líbano.
Assumir o controle da cidade pode significar um incentivo moral para Israel, mas, segundo o chefe do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, o objetivo de seus combatentes era provocar baixas entre os israelenses, e não proteger território.
Em um pronunciamento feito em um canal de TV na manhã desta quarta, Nasrallah afirmou que os guerrilheiros poderiam não ter a capacidade de impedir as forças israelenses de entrar em cidades e vilarejos, já que não formavam um Exército tradicional.
- Nós travamos uma guerra de guerrilha. O mais importante são as baixas que impomos ao inimigo israelense - disse, prometendo que seus homens entrariam em ação onde quer que as forças terrestres de Israel atacassem.
Controlar Bint Jbeil pode ser parte do plano israelense de criar uma zona livre de guerrilheiros no sul do Líbano até que uma força internacional chegue à região para tomar conta da área.
O ministro de Defesa do Estado judaico, Amir Peretz, disse na terça-feira que o país manteria o controle sobre uma "faixa de segurança" ao longo da fronteira de 80 quilômetros e que dispararia contra qualquer um dentro dela. Peretz não quis dizer qual largura teria essa faixa de segurança. Membros da área de segurança de Israel estimam esse número em algo entre 3 e 4 quilômetros.
Segundo os serviços de inteligência do Estado judaico, os combatentes do Hezbollah estão escondidos em uma rede de túneis e trincheiras construída ao redor de vilarejos xiitas do sul do L