A candidata do PSol à Presidência da República, Heloisa Helena, não comentou a declaração de voto do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) em seu favor, durante comício na noite desta quinta-feira, mas segundo um dos cardeais do partido, no Rio, "todo apoio é bem-vindo". Um dos principais líderes peemedebistas no Estado do Rio, Garotinho chegou a ser consultado por partidários do PSDB quanto a um possível apoio ao tucano Geraldo Alckmin. Além de Garotinho, sua mulher, a governadora do Rio, Rosinha, e a filha, Clarissa Mateus, também disseram que pretendem votar em Heloisa Helena.
A declaração de voto de Garotinho deixou inquieta a base do PMDB fluminenses. Ele e o grupo coordenado pelo economista Carlos Lessa, que redigiam o programa econômico do PMDB na candidatura frustrada do ex-governador a presidente, aderiram à candidatura de Heloísa Helena (PSOL). Assessor de Garotinho, Carlos Rayel confirmou nesta sexta-feira a intenção de voto na senadora alagoana e o lançamento do manifesto Por que Heloisa Helena, assinado por Lessa e seu grupo.
Ainda que afastados politicamente, Lessa e Garotinho escolheram Heloisa Helena. Há algumas semanas, Garotinho teria garantido a sua neutralidade na corrida presidencial para o primeiro turno e somente se pronunciaria em caso de um segundo turno mas, segundo Rayel, "as pressões das bases" alteraram seus planos. O rompimento entre Garotinho e a equipe de Lessa ocorreu com a derrota na tentativa de o PMDB lançar candidatura própria.
- O candidato a presidente sempre foi o senador Pedro Simon (RS) - comentou com repórteres o jornalista Paulo Jerônimo, assessor de Lessa e, agora, também de Heloisa Helena.
Vice-presidente na chapa de Heloisa Helena, César Benjamin - que assessorou Garotinho até assumir a condição de candidato - garante que não houve conversas prévias. Benjamin também fazia parte da equipe de Lessa.
- Acolho e respeito o apoio dele, mas não houve contato entre nós - disse ele a jornalistas.
Benjamin adiantou, ainda, que Garotinho não assinará o documento dirigido por Lessa.
- Trata-se de um manifesto de intelectuais. Há meses não falo com Garotinho - informou.
O manifesto carrega o apoio de intelectuais como Roberto Romano, Maria Sylvia de Carvalho Franco, Francisco Oliveira e Leandro Konder.