O presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou que a nova Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas criada para investigar o esquema que fraudava licitações para a compra de ambulâncias superfaturadas por prefeituras mediante utilização indevida de emendas parlamentares ao Orçamento, será presidida por um deputado e terá como relator um senador. Os líderes têm até o dia 20 para indicar os nomes dos representantes dos respectivos partidos na comissão.
Após a declaração do presidente do Senado, a líder do PSOL, senadora Heloisa Helena (AL), afirmou em sessão conjunta do Congresso Nacional, que a população brasileira deseja saber quem são os parlamentares envolvidos no superfaturamento de ambulâncias.
- Como dizia o senador Arthur Virgílio, não caberá a quem quer investigar obstaculizar as investigações. Portanto, não aceitaremos que se tente impedir a convocação e a tomada de depoimentos de senadores, deputados e funcionários do Ministério da Fazenda ou de qualquer órgão público envolvidos no escândalo - declarou Heloisa Helena.
Quanto ao prazo que a CPI Mista terá para as investigações, Heloisa Helena afirmou que deve ser o menor possível, mas o necessário para o total esclarecimento do caso. Esse prazo, na opinião da senadora, poderá ser de 30, 60 ou 180 dias.
- Todos os senadores e deputados estarão recebendo o seu salário e têm que cumprir suas obrigações constitucionais. Não adianta o argumento de condições atípicas do ano eleitoral para tentar encurtar o prazo e atrapalhar a investigação - declarou a senadora.
Ao se referir à frase do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) que falara, minutos antes, do Senado como a "sucursal do paraíso", Heloisa Helena afirmou:
- Se for provado que tem senador e deputado envolvido, vai virar a sucursal do inferno. E o comportamento espetaculoso de alguns pode atrapalhar a investigação dos ladrões de ambulância, dos ladrões dos cofres públicos e da merenda escolar - concluiu Heloisa Helena.