Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Harrison Ford não consegue salvar <i>Medidas Extraordinárias</i>

Sexta, 22 de Janeiro de 2010 às 12:51, por: CdB

O filme Medidas Extraordinárias, drama médico sobre um pai que tenta salvar seus filhos, funciona em um nível pouco sutil - seria preciso ter um coração de pedra para não se comover com a história de criancinhas adoráveis correndo perigo de morte. Mas em nenhum momento o filme consegue escapar das fórmulas batidas.

Um título na abertura informa o espectador de que Medidas Extraordinárias é "inspirado em uma história verídica". De fato, John Crowley (Brendan Fraser) foi uma pessoa real que lutou para encontrar tratamento para a doença de Pompe, um transtorno genético raro relacionado à distrofia muscular.

Mas o médico representado por Harrison Ford é um personagem composto, o tempo em que os fatos transcorrem foi drasticamente comprimido e a empresa farmacêutica que desenvolve a enzima salvadora é um conglomerado fictício. Essas elisões são compreensíveis, mas roubam o filme do impacto que um registro mais realista talvez tivesse.

Os produtores Michael e Carla Santos Shamberg e Stacey Sher já fizeram sucesso com outras histórias baseadas em fatos reais, incluindo As Torres Gêmeas e Escritores da Liberdade, mas a melhor de suas produções, Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento foi a que se ateve mais estreitamente à realidade.

Quando Megan (representada com eficácia por Meredith Droeger), filha de John, quase morre de infecção respiratória, John procura o recluso cientista Robert Stonehill (Ford), e este concorda em se unir a ele na busca por uma cura.

O melhor do filme é a performance estelar de Ford como o ranzinza Stonehill. Embora o conceito de gênio excêntrico não seja exatamente inovador, Ford representa o papel com minimalismo magistral.

Com relação a Fraser, não é possível dizer o mesmo. Embora Stonehill descreva Crowley como "implacável", Fraser não nos deixa ver esse lado do personagem; em vez disso, se mostra nobre e de bom coração. Keri Russell está simpática no papel de esposa de Crowley, mas seu papel é padronizado.

O diretor britânico Tom Vaughn fez um primeiro longa promissor alguns anos atrás, o drama universitário Starter for Ten, e não deixa as cenas familiares ficarem insuportavelmente sentimentais, mas tampouco infunde muita ousadia ao filme. O roteiro de Robert Nelson Jacobs (Chocolate) não ignora por completo a orientação fundamental da grande indústria farmacêutica, mas parece demasiado insosso.

A fotografia é rotineira, e a trilha sonora melosa de Andrea Guerra ressalta a natureza convencional do roteiro. A primeira metade de Medidas Extraordinárias tem energia considerável, graças à habilidade da edição da veterana Anne V. Coates, mas o filme como um todo é prejudicado por um excesso de confrontos exagerados e epifanias previsíveis.

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