Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

Hamas vence eleições e provoca reviravolta política

O grupo islâmico Hamas derrotou a tradicional facção Fatah nas eleições parlamentares nos territórios palestinos, provocando um terremoto político que pode enterrar as chances de um acordo de paz com Israel. Uma autoridade de alto escalão da Fatah declarou nesta quinta-feira que a legenda do presidente Mahmoud Abbas não participará de qualquer coalizão de governo formada pelo Hamas. A vitória do Hamas pode levar Israel a adotar mais manobras unilaterais depois da retirada da Faixa de Gaza no ano passado, consolidando assim sua fronteira dentro de terras ocupadas onde os palestinos desejam fundar um Estado próprio. As negociações de paz estão paralisadas há cinco anos. (Leia mais)

Quinta, 26 de Janeiro de 2006 às 08:57, por: CdB

O grupo islâmico Hamas derrotou a tradicional facção Fatah nas eleições parlamentares nos territórios palestinos, provocando um terremoto político que pode enterrar as chances de um acordo de paz com Israel. Uma autoridade de alto escalão da Fatah declarou nesta quinta-feira que a legenda do presidente Mahmoud Abbas não participará de qualquer coalizão de governo formada pelo Hamas. A vitória do Hamas pode levar Israel a adotar mais manobras unilaterais depois da retirada da Faixa de Gaza no ano passado, consolidando assim sua fronteira dentro de terras ocupadas onde os palestinos desejam fundar um Estado próprio. As negociações de paz estão paralisadas há cinco anos.

- O Hamas conquistou mais de 70 cadeiras na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, o que lhe dá mais de 50 por cento dos votos -  afirmou Ismail Haniyeh, líder do grupo.

Poucas horas depois desse pronunciamento, feito com base em resultados obtidos por representantes do Hamas em locais de votação, o primeiro-ministro Ahmed Qurie e seu gabinete renunciaram. Mark Regev, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, não quis fazer comentários sobre o que uma autoridade da Fatah descreveu como sendo um "tsunami". O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, disse que seu país não negociaria, dentro do processo de paz batizado de "mapa do caminho", com um governo palestino que não "combata o terror" e que não desarme os militantes.

Israel, os EUA e a União Européia (UE) classificam o Hamas, que realizou quase 60 atentados suicidas no território israelense desde o começo do atual levante palestino em 2000, como uma organização terrorista. Os estatutos do grupo defendem a destruição de Israel, mas seu braço armado respeitou uma trégua firmada por Abbas quase um ano atrás. Uma importante autoridade da Fatah disse que, aparentemente, o Hamas havia obtido a vitória devido aos votos de protesto de palestinos insatisfeitos com a corrupção na facção e na Autoridade Palestina, controlada por ela. A rede de assistência social do grupo islâmico nos empobrecidos territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia também alimentaram a popularidade dele.

- O Hamas não venceu porque as pessoas amam o Hamas, mas porque as pessoas estavam se vingando devido aos anos de domínio da Fatah -  disse Adel Al Helo, 41, um lojista da Faixa de Gaza.

Autoridades do Hamas reafirmaram tanto seu comprometimento com o que chamam de resistência armada contra a ocupação israelense como sua oposição a realizar negociações com o Estado judaico.

Três pesquisas de boca-de-urna haviam previsto uma vitória apertada da Fatah na disputa pelo Parlamento, formado por 132 cadeiras. Cerca de 78 por cento dos 1,3 milhão de eleitores palestinos aptos a votar compareceram às urnas. O presidente dos EUA, George W. Bush, disse na quarta-feira que não negociaria com o Hamas enquanto o grupo não aceitasse a existência de Israel.

- Um partido político, a fim de ser viável, deve defender a paz -  afirmou Bush, segundo o jornal The Wall Street Journal.

Apesar de ter dado sinais nesta semana de que poderia realizar negociações indiretas com Israel, o Hamas disse na quarta-feira que não mudaria seus estatutos e que não se desarmaria

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