O grupo militante islâmico Hamas disse nesta terça-feira que poderia conter os ataques a partir de Gaza "por um certo período de tempo" se Israel se retirasse do território, mas que, por outro lado, pretende retomá-los com mais intensidade se o domínio israelense na Cisjordânia continuar.
O fundador e líder espiritual do Hamas, xeque Ahmed Yassin, ressaltou numa entrevista que os ataques na Cisjordânia não vão parar enquanto Israel permanecer ali. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, afirma que quer pôr fim ao conflito com os palestinos com a desocupação unilateral dos assentamentos judaicos de Gaza, mas promete manter grandes grupos de assentamentos na Cisjordânia. Ambos os territórios foram ocupados em 1967.
"Em relação a Gaza, a resistência pode parar por um tempo se todos os israelenses (colonos e soldados) deixarem aquele território, até que conheçamos o destino da Cisjordânia, de nossos refugiados e de Jerusalém", afirmou Yassin. "Mas, se a ocupação insistir em ficar na Cisjordânia e continuar a nos negar outros direitos, incluindo (a libertação de) prisioneiros, a resistência em Gaza vai ser retomada, mas com força maior", disse ele na Cidade de Gaza. Ele não entrou em detalhes.
Críticos do plano de Sharon afirmam que o Hamas teria liberdade para atacar com mísseis e tentar se infiltrar no Estado judaico se Gaza for desocupada sem um acordo prévio de paz com os palestinos. O Hamas tem patrocinado uma campanha de ataques suicidas a bomba contra Israel, assim como ataques com armas, morteiros e mísseis nos assentamentos judaicos, durante a intifada palestina que já dura três anos.
O comandante militar do Hamas, Mohammad Deif, deu raras declarações a jornais de terça-feira dizendo que uma retirada israelense da Gaza sinalizaria uma vitória para os militantes palestinos. A Autoridade Palestina, do presidente Yasser Arafat, quer um Estado viável em Gaza e na Cisjordânia, livre de todos os assentamentos judaicos.
Yassin negou os rumores de que o Hamas, um movimento popular que se tornou uma autoridade paralela em Gaza, tentaria assumir o poder do território depois de uma saída de Israel. Ele disse que o Hamas discutiria com a Autoridade Palestina e com outras facções propostas para administrar Gaza, uma faixa de deserto povoada por 1,3 milhão de palestinos pobres.
"Estamos formulando um plano. Não está pronto ainda. É sobre como lidar com uma retirada unilateral de Gaza", afirmou. "Se a ocupação terminar completamente, vamos pensar sobre como participar, de modo democrático", acrescentou.