Rio de Janeiro, 12 de Abril de 2026

Hamas retira milícia de Gaza após ultimato de Abbas

O governo palestino, liderado pelo Hamas, mandou, nesta sexta-feira, que sua nova milícia saia das ruas de cidades da Faixa de Gaza. A decisão foi tomada após confrontos dessa milícia com as forças do movimento Fatah, ligado ao presidente Mahmoud Abbas, terem alimentado temores sobre uma guerra civil na região. (Leia Mais)

Sexta, 26 de Maio de 2006 às 07:57, por: CdB

O governo palestino, liderado pelo Hamas, mandou, nesta sexta-feira, que sua nova milícia saia das ruas de cidades da Faixa de Gaza. A decisão foi tomada após confrontos dessa milícia com as forças do movimento Fatah, ligado ao presidente Mahmoud Abbas, terem alimentado temores sobre uma guerra civil na região.

E aparece dias depois de Abbas ter surpreendido o Hamas ao fazer um ultimato para que dê apoio a uma proposta de criação do Estado Palestino que, implicitamente, reconhece Israel. Caso isso não aconteça, Abbas prometeu convocar um referendo sobre a questão.

O presidente palestino deu um prazo de dez dias para o governo do Hamas concordar com a proposta, passando na prática por cima da liderança do grupo militante e abrindo as portas para um embate. O Hamas defende a destruição do Estado judaico e rejeitou os apelos anteriores de Abbas para a realização de negociações com Israel.

Youssef al-Zahar, líder da força de 3 mil homens do Hamas que atua na empobrecida Faixa de Gaza, afirmou à Reuters que o Ministério do Interior havia ordenado a retirada.

- Recebemos ordens para desocupar as ruas e para nos concentrar em certos locais a fim de estarmos prontos para entrar em ação quando for necessário enfrentar o caos  - disse Zahar.

Segundo autoridades do governo, a ordem foi dada para baixar o nível de tensão nas relações com o Fatah. Ghazi Hamad, porta-voz do gabinete de governo palestino, afirmou que o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, um dos líderes do Hamas, havia telefonado para Abbas a fim de informar-lhe sobre a decisão.

Os confrontos entre o Hamas e o Fatah tornaram-se mais frequentes depois de a unidade de segurança ter começado a atuar, na semana passada. Segundo membros do governo, a nova força não seria desfeita, apesar dos apelos do presidente para que isso fosse feito, mas integrada em unidades regulares da polícia.

Abbas e o Hamas travam uma luta cada vez mais acirrada pelo poder desde que o grupo islâmico tomou posse, dois meses atrás, depois de vencer o Fatah nas eleições de janeiro.

Pressionando o Hamas, Abbas deu ao grupo um prazo de dez dias, a contar de quinta-feira, para concordar com um plano que prevê a criação de um Estado palestino vivendo pacificamente ao lado de Israel ou enfrentar, dentro de 40 dias, o que poderia se transformar em uma moção de desconfiança.

O Hamas, segundo um membro da liderança exilada do grupo em declarações dadas na sexta-feira, não seria "chantageado" para aceitar o plano.

Mohammad Nazzal não rejeitou a proposta de imediato, mas criticou Abbas por ameaçar colocá-la em um referendo.

- Entendemos esse referendo como um instrumento para pressionar o Hamas - disse Nazzal em Damasco.

A aprovação do plano por meio de uma votação popular poderia dar ao Hamas uma chance de moderar sua postura em relação a Israel e a quaisquer negociações de paz sem ter de mudar formalmente essa postura.

<b>DEBATE</b>

A proposta prevê um acordo de paz se Israel retirar-se de toda a Cisjordânia e de Jerusalém Oriental (parte árabe da cidade), territórios ocupados desde a Guerra dos Seis Dias (1967).

O plano foi elaborado em uma prisão israelense por líderes de várias facções palestinas, entre as quais o Hamas e o Fatah.

Israel não fez comentários sobre a proposta, mas sempre rejeitou abrir mão de toda a Cisjordânia, pretendendo manter intactos os grandes blocos de assentamento existentes ali. E o país afirma que Jerusalém é sua "capital eterna e indivisível".

As facções palestinas envolvidas no último dos dois dias de diálogo nacional convocado para diminuir as tensões nos territórios debateram na sexta-feira o ultimato de Abbas. Um parlamentar do Hamas, Mushir al Masri, afirmou à Reuters que todos os palestinos teriam de participar de um plebiscito do tipo, uma condição que dificultaria a realização dele. Muitos palestinos vivem em campos de refugiados espalhad

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