O grupo islâmico Hamas rejeitou nesta segunda-feira um convite para ingressar no gabinete de governo palestino. O presidente Mahmoud Abbas pretendia formar um governo de coalizão para ajudá-lo a manter o controle sobre a Faixa de Gaza depois da retirada israelense.
Abbas, pressionado pela opinião pública para enfrentar a crescente desordem em algumas áreas palestinas, ofereceu na semana passada um lugar para os grupos armados em seu gabinete a fim de facilitar o fechamento dos assentamentos judaicos na Faixa de Gaza, previsto para ocorrer a partir da metade de agosto.
- O Hamas decidiu rejeitar a oferta do movimento Fatah (de Abbas) para formar um governo de unidade nacional - disse Mushir al-Masri, porta-voz do grupo islâmico - A formação de um governo de unidade nacional neste momento não serviria para muita coisa.
Segundo o porta-voz, a decisão havia sido tomada depois de uma série de consultas realizadas dentro do Hamas, um grupo islâmico que defende a destruição de Israel.
A entrada da organização no governo ajudaria Abbas a manter a ordem durante a retirada israelense e a evitar um vácuo subsequente na área de segurança. A manobra também deixaria claro que o Hamas continua comprometido com a trégua firmada pelo presidente palestino e pelo primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, em fevereiro.
A rejeição do convite, porém, já era esperada.
Masri tinha dito dias atrás que considerava a proposta de Abbas um plano para não convocar eleições parlamentares dentro em breve. Espera-se que o Hamas consiga aumentar sua bancada nesse pleito, ameçando o controle do movimento Fatah sobre o Poder Legislativo.
Israel preocupa-se com a possibilidade de o grupo islâmico tentar assumir o controle da Faixa de Gaza depois da desocupação dos 21 assentamentos judaicos existentes ali. O governo israelense também pretende abrir mão de quatro das 120 colônias que mantém na Cisjordânia.
De toda forma, o Estado judaico condenou o convite feito por Abbas, que, se aceito, significaria a participação, pela primeira vez, de um grupo armado em um gabinete de governo palestino.