Rio de Janeiro, 24 de Abril de 2026

Hamas rejeita ameaças e anuncia formação de exército nacional

Líderes do grupo extremista islâmico Hamas, vencedor das eleições na Palestina, asseguraram neste sábado que não só pretendem manter a resistência como planejam montar um exército unificado, "para proteger o povo palestino contra ataques israelenses", como afirmou Khaled Meshall, diretor do Escritório Político do Hamas. (Leia Mais)

Sábado, 28 de Janeiro de 2006 às 14:17, por: CdB

Líderes do grupo extremista islâmico Hamas, vencedor das eleições na Palestina, asseguraram neste sábado que não só pretendem manter a resistência como planejam montar um exército unificado, "para proteger o povo palestino contra ataques israelenses", como afirmou Khaled Meshall, diretor do Escritório Político do Hamas.

- Queremos formar um exército como todo país... Uma força armada para defender nosso povo contra as agressões - afirmou Khaled Meshaal.

O Hamas não pretende considerar e respeitar as negociações e acordos fechados até hoje pela Autoridade Palestina com Israel. segundo Meshaal:

- Não pretendemos reconhecer a ocupação de Israel, mas somos realistas e sabemos que negociações são feitas gradualmente.

Meshaal disse ainda que o grupo tem planos de compor um governo com outras facções palestinas, incluindo o Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

- Acreditamos que é do interesse de todos fazer parte desta iniciativa do Hamas porque esta será a iniciativa que vai triunfar - afirmou.

Novos desafios

Um dos principais líderes do Hamas, Ismail Haniyeh, rejeitou neste sábado, em entrevista a jornalistas na Faixa de Gaza, os pedidos internacionais para que o grupo islâmico se desarme e renuncie à violência para evitar cortes na ajuda internacional à Autoridade Palestina.

- Essa ajuda não pode ser uma espada sobre as cabeças do povo palestino e não será material para chantagear nosso povo, para chantagear o Hamas e a resistência. Está rejeitado - disse Haniyeh.

Ele acrescentou que o Hamas, que prega a destruição do Estado de Israel, estava comprometido em manter suas armas e resistir à ocupação israelense. Haniyeh falou depois que os EUA ameaçaram cortar a ajuda de US$ 234 milhões destinada aos palestinos este ano porque o Hamas deve formar um novo governo palestino.

- Eles precisam livrar-se do braço armado de seu partido e da violência e, em segundo lugar, precisam livrar-se da parte da plataforma que diz que querem destruir Israel - disse o presidente norte-americano, George W. Bush, em entrevista à rede norte-americana de TV CBS news.

Autoridades da União Européia também deram indicações de que uma rejeição do Hamas em renunciar à violência e reconhecer Israel pode ter consequências em sua relação com uma Autoridade Palestina liderada pelo Hamas. A União Européia é a maior doadora à Autoridade Palestina, com uma ajuda de 500 milhões de euros no ano passado. Desafiador diante da pressão internacional, Haniyeh disse que os palestinos se desarmariam e encerrariam o confronto armado apenas quando Israel acabar com sua ocupação nas terras reclamadas pelos palestinos para a formação de um estado independente.

- Armas e resistência são questões que estão ligadas à presença da ocupação e enquanto a ocupação existir o povo palestino tem o direito de se defender e resistir à ocupação - disse.

O Hamas quer substituir Israel e a Autoridade Palestina por um estado islâmico. O grupo disse que apoiaria a criação de um estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza como um primeiro passo.

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