Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Hamas quer dar um golpe militar, diz ministro

Quinta, 21 de Julho de 2005 às 02:34, por: CdB

O ministro de Assuntos Civis da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mohammed Dahlan, acusou o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) de querer dar um golpe militar para derrubar o Governo do presidente Mahmoud Abbas.

Em declarações exclusivas publicadas, nesta quinta-feira ,pelo jornal israelense <i>Haaretz</i>, o coronel Dahlan, ex-chefe dos serviços secretos palestinos em Gaza, afirma que não só os fundamentalistas do Hamas, mas também o primeiro-ministro Ariel Sharon, querem destruir a ANP.

- Quando alguém tenta entrar em uma delegacia com um lança-granadas, isso é tentar um golpe militar - disse o ministro palestino referindo-se aos violentos incidentes registrados esta semana entre milicianos do Hamas e policiais palestinos.

Segundo Dahlan, o Hamas e o líder israelense compartilham do mesmo objetivo com relação ao Governo de Abbas.

- O Hamas é o inimigo mais fácil para Sharon. Com Abu Mazen -nome de combate de Abbas no movimento Fatah- as coisas são mais difíceis para o primeiro-ministro israelense - estimou Dahlan ao jornal.

Por este último motivo, acrescentou que "Sharon está debilitando a ANP e fortalecendo a lógica do Hamas", aparente alusão a que o chefe do Governo israelense se nega a levantar restrições que afetam coletivamente os palestinos com o argumento de que se fizesse concessões, colocaria em perigo a segurança dos israelenses.

Na opinião do líder palestino, o braço armado do Hamas, as Brigadas de Izz al-Din al Qassem, são mais fortes que os órgãos de segurança do Governo palestino, "e me surpreende que ainda não tenha acontecido o colapso da ANP".

Um dos fatores que contribuem para o enfraquecimento de Abbas é que Israel segue levantando o "muro de segurança" na Cisjordânia, e em Jerusalém, onde em primeiro de setembro 55.000 palestinos ficarão isolados de seus centros de serviços e de seus santuários religiosos como as mesquitas de Al-Aqsa e de Omar ou a basílica do Santo Sepulcro.

"Sharon diz que Abu Mazen é frágil? (para enfrentar as facções palestinas armadas). Pois seu dever é fortalecê-lo. Sharon tem que fazer algo para fortalecer o campo da paz na sociedade palestina", segundo declarou Dahlan ao jornal israelense.

- O que o Exército de Israel não conseguiu fazer em quatro anos frente às facções da resistência palestina contra a ocupação israelense, Sharon exige que Abu Mazen faça em seis meses, desde que foi eleito presidente - comentou o militar palestino.

A situação do ponto de vista da segurança em Gaza e Cisjordânia atualmente é melhor que há seis meses graças às negociações de Abbas com essas facções palestinas, que desde janeiro, com altos e baixos e quase diárias violações de parte dos dois lados, respeitam o que deram a chamar de "um período de calma".

Por último, Dahlan comentou que "mesmo que trouxessem o general Montgomery (célebre oficial militar da Grã-Bretanha na Segunda Guerra Mundial), não poderia tê-lo feito melhor que Abu Mazen. Se me perguntar se a ANP pode por um fim no terrorismo, a resposta evidente é que não, e quem disser o contrário está mentindo".

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