Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Hamas promete vingança contra Israel; cresce onda de violência

Sábado, 16 de Julho de 2005 às 08:51, por: CdB

O Hamas prometeu vingança contra Israel no sábado, após seis atiradores do grupo serem mortos em uma onda de violência que parece colocar em risco uma trégua a um mês do plano de retirada de Israel da Faixa de Gaza.

"Vingança, vingança", gritaram milhares de pessoas, em Gaza, nos funerais de quatro atiradores mortos na sexta-feira em ataques com mísseis que ocorreram após o lançamento de foguetes palestinos que mataram uma mulher.

"Quando o sangue palestino é derramado, não há proteção para o sangue sionista", disse o líder do Hamas, Ismail Haniyah.

A onda de violência, que começou na terça-feira quando um suicida palestino a bomba matou cinco israelenses em um ataque na cidade de Natanya, vem prejudicando uma trégua firmada por Israel e pela Autoridade Palestina em fevereiro.

Os ataques também colocam em risco a retirada de 9 mil colonos judeus de todos os 21 assentamentos em Gaza e quatro na Cisjordânia no próximo mês. O plano de retirada havia renovado as esperanças de paz no Oriente Médio.

Israel lançou novos ataques aéreos em Gaza na noite de sexta-feira, atingindo três instalações na Cidade de Gaza e no campo de refugiados de Khan Younis. Segundo o Exército, esses estabelecimentos eram usados pelo Hamas para produzir armas, mas os palestinos negam que armas fossem fabricadas ali.

Além disso, autoridades israelenses prometeram continuar alvejando atiradores para evitar ataques de foguetes antes da retirada prevista para o mês que vem.

Os militantes revidaram os ataques algumas horas depois, lançando dois foguetes na cidade israelense de Sderot, perto da Faixa de Gaza. Um dos foguetes atingiu o pátio de uma casa, mas ninguém ficou ferido, disse o Exército. O outro foguete aterrissou em um campo aberto.

O ministro do Interior palestino, Nasser Yousef, disse que os ataques de mísseis israelenses eram injustificados e que criariam mais tensão. Ele acrescentou que a liderança palestina estaria tentando salvar o cessar-fogo que, segundo ele, nenhuma facção tinha o direito de interromper.

Diante de uma trégua fracassada, a secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice marcou uma visita para Israel e os territórios palestinos para a próxima semana a fim de "incentivar ambos os lados a tomar medidas apropriadas para restabelecer a ordem", disse um porta-voz.

"Eles precisam fazem um mínimo esforço, individualmente e em conjunto, para garantir que esta retirada seja bem-sucedida", disse o porta-voz do Departamento de Estado.

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, disse que o Exército acabaria com os ataques por parte dos militantes de Gaza antes da retirada. "A retirada não pode começar sob fogo", disse Sharon ao canal televisivo Channel 2 em entrevista no noite de sexta-feira.

Autoridades militares israelenses já disseram que fariam ofensivas em larga escala e possivelmente ocupariam áreas palestinas próximas aos assentamentos para evitar que a retirada aconteça sob fogo.

O Hamas, que prega a destruição de Israel, advertiu que os ataques aéreos "abririam as portas do inferno" sobre Israel e disse estar reconsiderando a promessa de honrar o cessar-fogo.

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