Um líder do Hamas afirmou nesta terça-feira que é muito provável que um membro do grupo torne-se primeiro-ministro de um novo governo palestino. Questionado sobre se um integrante do Hamas viraria premiê, o líder Ismail Haniyeh disse à agência Reuters no Cairo que "isso é altamente esperado". Entretanto, ele afirmou que é muito cedo para falar em nomes. O grupo radical islâmico foi o grande vencedor das eleições palestinas do mês passado.
Autoridades do Hamas, que conversam no Egito sobre a formação de um novo governo, disseram que pretendem incluir na administração a facção Fatah, derrotada nas eleições e que dominou durante muito tempo a política palestina. O Hamas não reconhece Israel e defende em seus estatutos a destruição do Estado judaico. Os Estados Unidos e a União Européia (UE) já declararam que uma Autoridade Palestina liderada pelo Hamas pode perder a ajuda internacional, a menos que o grupo se desarme e reconheça Israel.
ISRAEL INTENSIFICA AÇÕES MILITARES
Soldados israelenses mataram um comandante do grupo Jihad Islâmica na Cisjordânia e bombardearam uma ponte na Faixa de Gaza, nesta terça-feira, em uma escalada das ações contra militantes palestinos, disseram integrantes das forças de segurança. A morte mais recente elevou para oito o número de militantes palestinos mortos por Israel em ataques aéreos e tiroteios desde domingo, quando uma israelense morreu na região central do país após ter sido agredida a facadas.
A onda de violência acontece depois da vitória folgada do grupo Hamas nas eleições parlamentares palestinas de 25 de janeiro, um fato que aumentou a pressão sobre os esforços de paz, há muito tempo paralisados. O Hamas recusa-se a reconhecer o direito de Israel de existir e realizou dezenas de atentados suicidas contra o Estado judaico em meio ao levante pró-independência iniciado cinco anos atrás.
Segundo membros das forças de segurança palestinas, soldados israelenses mataram um importante comandante da Jihad Islâmica, Ahmed Radad, durante uma operação em Nablus. Radad, de 28 anos, estava escondido na cidade havia dois anos, disseram os palestinos.
A Jihad Islâmica assumiu a responsabilidade por um ataque com foguete caseiro que deixou três israelenses feridos no final de semana e uma série de atentados suicidas recentes contra Israel. Um porta-voz do Exército israelense afirmou que dois soldados ficaram feridos na operação de Nablus. Em meio à operação, Israel bombardeou o norte da Faixa de Gaza com peças de artilharia e usou aviões para atacar uma ponte e seis estradas a fim de evitar o lançamento de foguetes.
Um disparo atingiu uma casa do norte da Faixa de Gaza, ferindo uma garota de 15 anos, disseram testemunhas e membros de uma equipe médica. Israel disse também ter prendido quatro supostos militantes em um vilarejo perto da cidade de Ramallah (Cisjordânia). Horas antes do confronto de terça-feira, no dia anterior, forças israelenses mataram dois membros das Brigadas de Mártires de Al Aqsa, braço armado do movimento Fatah (ligado ao presidente palestino, Mahmoud Abbas).
No domingo, Israel matou outros cinco militantes palestinos, em duas operações na Faixa de Gaza. Apesar de ter intensificado os ataques contra os militantes, o primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, disse que espera manter os laços com Abbas. O dirigente palestino prometeu continuar com os acordos de paz apesar da eleição do Hamas. O ministro israelense de Defesa, Shaul Mofaz, afirmou a um jornal do país que o Estado judaico pode optar, unilateralmente, por fixar uma fronteira e retirar alguns assentamentos da Cisjordânia nos próximos anos.