As facções fundamentalistas da resistência palestina contra a ocupação militar israelense na Cisjordânia e Gaza, Hamas e Jihad Islâmica, não participarão, nesta terça-feira, no diálogo do Cairo para acertar um cessar-fogo com Israel.
O porta-voz da Resistência Islâmica (Hamas), Sami abú Zuhri, informou hoje, segunda-feira, dessa decisão apesar de que as autoridades israelenses, que controlam a fronteira de Gaza com o Egito, deram seu visto para que seus representantes viajem para o Cairo.
Zuhri disse que Israel negou a permissão a vários membros do Hamas, enquanto que fontes palestinas disseram que receberam "sinal verde", mesmo sentido no qual se pronunciaram as fontes israelenses.
Fontes palestinas indicaram que a decisão da liderança local do Hamas se deve a confrontos internos, especialmente entre o considerado seu líder máximo político, Khaled Mashaal, que atualmente reside na Síria, e o do movimento na Cisjordânia, Hassan Yusuf, considerado um dirigente moderado e pragmático.
- Mashaal e Yusuf tiveram um diálogo telefônico a gritos. - acrescentaram as fontes, que pediram o anonimato.
Hamas e a Jihad estarão representados na capital egípcia por dirigentes de ambas as organizações residentes em países árabes vizinhos, entre eles Síria, Jordânia e o Líbano.
A cisão no seio do Hamas foi precipitada, aparentemente, pelo anúncio feito no sábado por seu porta-voz na cidade cisjordaniana de Nablus, Mohammed Gazal, acerca da participação do movimento nas eleições parlamentares do próximo 17 de julho.
A participação nas eleições é aceita por Yusuf, que recuperou há alguns meses sua liberdade após passar três anos em uma prisão israelense, mas se opõem a isso Mashaal e outros dirigentes de Gaza, e do exterior, pois isso significará a aprovação dos Acordos de Oslo de 1993 para negociar a paz com Israel.
Os representantes da Jihad Islâmica, ao contrário dos do Hamas, não foram autorizados por Israel para viajar ao Egito, onde há dois dias se encontram os das Brigadas dos Mártires de Al Aksa, ligados ao movimento nacional Fatah.
Acredita-se que a negativa das autoridades israelenses no caso da Jihad se deve a que um suicida dessa organização causou a morte de cinco israelenses e meia centena de feridos em 25 de fevereiro, ao explodir uma bomba diante de um bar de Tel Aviv.
Também não participarão do "diálogo" de Cairo - que leva vários meses de deliberações entre as onze facções e grupos da resistência - os representantes da Frente Popular para a Libertação da Palestina-Comando Geral (FPLP-CG), de Ahmed Jibril.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, afirmou neste domingo, em declarações ao Canal 1 da televisão israelense, que nesta terça-feira será anunciado o cessar-fogo.
O interesse do presidente palestino em anunciar um cessar-fogo formal se deve a seu desejo de começar de imediato as negociações de paz com Israel, um de cujos componentes será a criação de um Estado palestino independente.
O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qorei, também não viajará ao Egito pois, segundo assessores próximos, não confia no êxito do "diálogo".
Hamas e Jihad não participarão de diálogo para cessar-fogo
Segunda, 14 de Março de 2005 às 04:18, por: CdB