O grupo islâmico palestino Hamas criticou a indicação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair para ser o enviado especial do chamado Quarteto (formado por União Européia, Estados Unidos, ONU e Rússia) de mediadores de paz para o Oriente Médio.
A indicação de Blair para o cargo foi anunciada na quarta-feira, poucas horas depois de ele ter formalizado sua renúncia ao governo britânico. Após dez anos no poder, Blair foi substituído por seu ministro da Economia, Gordon Brown.
Os militantes do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, afirmaram que Blair não foi honesto nem prestativo enquanto ocupou o cargo de primeiro-ministro.
- Conforme nossa experiência no tempo em que ele foi primeiro-ministro da Grã-Bretanha ... ele não foi honesto nem prestativo na solução do conflito no Oriente Médio - disse um porta-voz do Hamas, Ghazi Hamad.
Hamad afirmou ainda que Blair sempre adotou "a posição norte-americana e israelense".
A indicação de Blair foi bem-vinda por Israel e pela Autoridade Palestina.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que recebeu de Blair a garantia de que vai trabalhar para chegar a uma solução pacífica baseada em dois Estados.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse acreditar que Blair pode ter um impacto favorável, segundo a porta-voz do governo israelense, Miri Eisin.
A Casa Branca também comemorou a indicação de Blair, mas procurou controlar as expectativas.
- Ele não é o super-homem, não tem uma capa - disse o porta-voz da Casa Branca Tony Snow.
- O que ele deve fazer é atuar como um facilitador agressivo entre o Quarteto e as partes interessadas para tentar encontrar maneiras de progredir onde no passado nós não vimos o tipo de progresso que gostaríamos- completou Snow.