Uma calma tensa voltou a reinar na Faixa de Gaza, depois de quase uma semana de enfrentamentos armados entre os dois principais grupos políticos do país, o islâmico Hamas e o secular Fatah.
Moradores da Faixa de Gaza se deparam com as incertezas no primeiro dia depois que o Hamas tomou controle total da área, segundo um correspondente da BBC na região do conflito, Tim Franks.
Militantes do Hamas ocuparam as dependências presidenciais em Gaza durante a madrugada, horas depois de anunciar o controle de edifícios-chave de segurança do Fatah.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que é do Fatah, declarou estado de emergência e dissolveu o governo de unidade formado há três meses para emprestar credibilidade ao Hamas, que controla o Parlamento, mas mantém relações ruins com Israel - cujo fim defende - e os países ocidentais.
Na quinta-feira, Abbas destituiu Ismail Haniya, do Hamas, do cargo de primeiro-ministro. Hanyia, entretanto, contesta a autoridade de Abbas e disse que imporá a lei e a ordem no território.
Na sexta-feira, veículos voltaram a circular pelas ruas de Gaza e as lojas reabriram. Poucos homens armados podiam ser vistos nas ruas, e os relatos de tiroteios são apenas esporádicos.
Mas uma residente de Gaza disse que a calma relativa não esconde o "grande desafio" que terá o Hamas para governar a área.
- Será que eles vão satisfazer as necessidades das pessoas e no fim convidar o Fatah para um governo unitário? Até agora, não há horizonte político -, disse Tagreed el Khodary à BBC.
Os confrontos armados entre as duas facções rivais deixaram pelo menos cem mortos nos últimos dias.
Em um dos episódios de violência, o Hamas capturou o edifício das forças de Segurança Preventiva do Fatah na Cidade de Gaza, deixando 14 mortos, a maioria funcionários de segurança do Fatah.
Combatentes da facção derrotada eram vistos sendo conduzidos, algemados, para fora do prédio. Seu destino era incerto.
O correspondente da BBC em Jerusalém, Matthew Price, observou que a dissolução do governo unitário dividirá efetivamente os territórios palestinos: a Cisjordânia permanecerá sob controle do Fatah, enquanto a Faixa de Gaza será governada pelo Hamas.
Existem ainda temores de que o Fatah recorra à violência na Cisjordânia em retaliação à situação na Faixa de Gaza. Militantes do Fatah em Nablus disseram ter matado um líder do Hamas durante a madrugada.
As Brigadas de Mártires de Al-Aqsa, uma milícia afiliada ao Fatah, já pediu "lei marcial" e a mobilização completa do movimento.
Países árabes vizinhos devem intervir para convencer as duas facções a retomar o diálogo, mas correspondentes apontam que observadores internacionais - em particular Israel - vêem a separação com uma oportunidade para lidar exclusivamente com o Fatah, mais moderado que seu rival.
Decreto
Apesar de Haniya ter rejeitado sua destituição, o presidente Mahmoud Abbas anunciou que governará por decreto. Pelas leis palestinas, ele poderá utilizar esse mecanismo por até 30 dias, com a possibilidade de extensão a ser aprovada pelo Parlamento.
O fim do governo unitário encerra três meses de tentativas de superar um impasse gerado por sanções econômicas e políticas ao Hamas, que venceu as eleições parlamentares palestinas no início do ano.
Hamas controla Gaza em ambiente de tensão e medo
Uma calma tensa voltou a reinar na Faixa de Gaza, depois de quase uma semana de confrontos armados entre os dois principais grupos políticos do país, o islâmico Hamas e o secular Fatah. (Leia Mais)
Sexta, 15 de Junho de 2007 às 05:22, por: CdB