O líder do Hamas na Cisjordânia, o xeque Hassan Youssef, disse neste domingo que o grupo islâmico concorrerá nas eleições legislativas de julho, mas não deixará a luta armada contra a ocupação israelense, em entrevista concedida em Ramala.
As eleições municipais realizadas na quinta-feira passada em 84 prefeituras deram um respaldo ao Hamas, que, segundo Youssef, conseguiu a maioria com mais de 60% dos votos em cidades como Belém e Kalkilia, na Cisjordânia, e Rafah, na Faixa de Gaza.
Os resultados oficiais, que seriam anunciados hoje, foram adiados para amanhã porque o Al-Fatah afirmou que em Rafah e Beit Lahia houve fraude. O jornal palestino Al Quds afirma hoje que o Hamas venceu em 34 dos 84 municípios.
Segundo Youssef, o grupo conseguiu em Rafah 12 de 15 vereadores; no campo de refugiados de al-Bureich, 12 de 13; em Beit Lahia, 7 de 13; em Kalkilia, os 15; e em Belém, 5 dos 7 vereadores muçulmanos, já que os cristãos somam outros oito.
Youssef acusou a Autoridade Nacional Palestina (ANP) de atrapalhar o pleito mediante sua realização em fases, de cometer subornos, de impor a intervenção das forças de segurança e pelo fato de que os membros do Comitê Eleitoral serem do movimento governista.
Apesar de tudo, acrescentou: "Ganhamos nas grandes cidades. As pessoas nos apoiaram porque temos credibilidade. Somos transparentes e não temos casos de corrupção administrativa e financeira." Sobre o programa de gestão municipal, o xeque Youssef afirmou: "Nós vamos nos concentrar nos serviços ao povo. Temos um programa de educação, geração de emprego, ajudas à agricultura e ao meio ambiente, entre outros setores".
"As pessoas viram o êxito em nossa gestão das organizações de caridade e em algumas prefeituras. A eficácia do Hamas foi provada.
Com poucos meios podemos fazer muito", acrescentou.
O xeque Hassan Youssef afirmou que o Hamas deixará para a ANP todo tipo de coordenação com Israel, e insistiu que as prefeituras têm caráter administrativo e não político.
Quanto à vitória do Hamas na cidade bíblica de Belém, Youssef disse: "Estamos dispostos a demonstrar que podemos coexistir com os cristãos, e a relação vai ser muito boa.
Compartilhamos as preocupações, os interesses e os objetivos deles de se libertar da ocupação." "Utilizaremos todos os meios a nosso alcance para acabar com a ocupação, mas escolheremos os meios necessários em cada momento".
O líder manifestou o compromisso do Hamas de manter o período de calma de um ano alcançado no Cairo e disse que o grupo não está disposto a lançar ataques suicidas contra Israel. "Mas mantemos a resistência à ocupação, já que não temos garantias de que Israel parará suas agressões." O Hamas, segundo o xeque, só lançou mísseis em uma ocasião desde as negociações do Cairo, o que ocorreu em resposta à morte de três crianças palestinas em Rafah há algumas semanas.