O Hamas, grupo militante palestino que não reconhece a existência de Israel, admitiu na última quarta-feira a existência de negociações indiretas com o Estado judaico, intermediadas pelo Egito. A informação foi dada pelo líder do Hamas, Ismail Haniya, em um discurso na Universidade Islâmica de Gaza.
- Israel precisa comprometer-se a deixar de lado todos os tipos de agressão contra o nosso povo, ou seja, os assassinatos, as mortes e as operações militares, e precisa levantar o bloqueio (à Faixa de Gaza) e reabrir os postos de fronteira - disse em um discurso Haniyeh.
Haniyeh fez o pronunciamento depois de soldados israelenses terem matado um militante da Jihad Islâmica na Cisjordânia ocupada, um incidente que, segundo uma autoridade do Hamas, mostra que Israel "não está interessado em uma situação de calmaria".
Haniyeh negou entretanto que os dois lados tenham chegado a um acordo de trégua, como afirmaram reportagens publicadas nesta quarta-feira na imprensa israelense. Israel ainda não se manifestou a respeito das últimas declarações.
Desde a última sexta-feira militantes palestinos suspenderam o lançamento de foguetes contra o sul de Israel e o Exército israelense suspendeu os ataques à Faixa de Gaza, segundo as informações.
Embora tanto o governo israelense como o Hamas neguem a existência da trégua intermediada pelo Egito, os fatos demonstram uma tranqüilidade inusitada no sul de Israel e na Faixa de Gaza.
As cidades de Sderot e Ashkelon pararam de ser diariamente bombardeadas por foguetes e, simultaneamente, as tropas israelenses pararam de atacar a Faixa de Gaza.
A trégua ocorre depois de uma escalada grave da violência entre Israel e o Hamas nas últimas semanas, que deixou mais de 120 mortos palestinos em quatro dias e colocou o sul de Israel em estado de alerta, com dezenas de foguetes sendo lançados por dia contra as cidades de Sderot e Ashkelon.
Informações
O site de noticias Ynet citou na última quarta-feira uma alta fonte militar que não quis se identificar, afirmando que "enquanto os palestinos não lançarem foguetes, Israel não vai realizar ataques maciços à Faixa de Gaza".
De acordo com o Ynet, o governo egípcio prometeu fazer todos os esforços para impedir o contrabando de armas para a Faixa de Gaza.
O ex-embaixador do Egito em Israel e chefe da comissão de segurança nacional do parlamento egípcio, Mohamed Bassiuni, afirmou que o Egito "está trabalhando para alcançar um acordo amplo entre as partes".
Segundo Bassiuni o acordo deverá incluir um cessar fogo, o fim do bloqueio à Faixa de Gaza e a troca de prisioneiros.
O jornal israelense Haaretz cita fontes palestinas não identificadas, que afirmam que segundo o acordo intermediado pelo Egito, o controle das passagens terrestres para a Faixa de Gaza será entregue à Guarda Presidencial do presidente palestino Mahmoud Abbas.
De acordo com o Haaretz, o Hamas teria concordado com a presença de observadores europeus na fronteira de Rafah, que separa a Faixa de Gaza do Egito.
Depois da tomada de poder pelo Hamas, o governo israelense intensificou as restrições que impõe na fronteira da Faixa de Gaza, uma atitude que que é severamente criticada por palestinos e que transformou o território em uma imensa prisão.
A troca de prisioneiros envolvendo palestinos mantidos nas penitenciárias de Israel e um soldado israelense capturado por militantes da Faixa de Gaza em 2006, poderia ser um dos pontos de negociação para a reabertura das fronteiras e o cessar-fogo.