A atriz americana Halle Berry, que em 2002 foi a primeira mulher negra a ganhar o Oscar de melhor atriz, afirmou nesta terça-feira, que esse prêmio já "criou problemas para muitos" profissionais porque, depois de conquistar um galardão deste tipo, a indústria impõe "um modelo dentro do qual eles devem atuar".
Com o cabelo preso, adornada com algumas jóias e usando um vestido preto, Berry concedeu hoje uma entrevista coletiva em Madri para falar sobre seu último filme, Gothika, um thriller com fantasmas feito com a atriz espanhola Penélope Cruz e o ator americano Robert Downey Jr.
A atriz, que ganhou o Oscar por A Última Ceia, não irá à cerimônia de entrega desses prêmios este ano porque está ocupada promovendo Gothika, mas lembra perfeitamente o momento em que subiu ao palco para receber sua estatueta. "Aquele foi um grande momento, uma coisa que sempre me inspira", acrescentou a atriz.
Halle Berry afirma, no entanto, que o Oscar não influenciou carreira, trabalho que conseguiu desenvolver com magnitude "graças à ajuda de Deus".
- Ganhar um Oscar pode causar problemas a muitas pessoas porque elas são colocadas em um pedestal e a indústria cinematográfica espera que elas representem sempre determinados tipos de papéis, criando um modelo dentro do qual devem atuar. Isso faz com que alguns atores, galardonados no passado, estejam sempre esperando outro papel com o qual tenha chances de ganhar outro Oscar - confessa a atriz.
- O Oscar - acrescenta - me deu mais confiança mas eu sempre busco novos papéis, tento diversificá-los para que sejam sempre novos desafios, que me inspirem e me emocionem e, neste sentido, estou disposta a ir longe. Não quero estabelecer limites.
Em Gothika, Halle Berry interpreta o papel de uma psiquiatra que trabalha em uma prisão de segurança máxima cuja vida dá um reviravolta quando é acusada do assassinato de seu marido.
A psiquiatra não lembra nada da noite da morte de seu esposo, só de uma aparição fantasmagórica que lhe passou a acompanhar depois daquele dia, fazendo com que os demais pensem que ela está louca e não possuída por uma força paranormal.
"Às vezes os espíritos nos visitam", afirma a atriz, que diz que a história de seu personagem vai além da lógica e que está no âmbito sobrenatural. "Há coisas que acontecem sem explicação, são coisas do âmbito paranormal, coisas sobrenaturais que nos rodeiam", destaca a atriz, que lembra o ambiente carregado no qual trabalharam para filmar seu novo trabalho, uma velha prisão desabitada.
Berry comparte protagonismo com Cruz, que encarna uma jovem possuída por uma força demoníaca. As duas tornaram-se amigas durante a filmagem e hoje Berry fala de Penélope como sndo uma atriz "de grande qualidade" que, neste filme, "deu uma aparência especial a um personagem carregado de angústia". Ela é também, diz Berry, "uma mulher muito bonita que tem uma beleza que vem de dentro".
A atriz não perdeu a oportunidade de expressar sua oposição à onda de censura que invade os Estados Unidos e que fará com que a cerimônia de entrega dos Oscar seja transmitida com um atraso.
Segundo Berry, trata-se de "um tema delicado. As televisões têm direito a escolher como querem retransmitir os espetáculos. Entendo que isso tem a ver com seus patrocinadores, mas não estou de acordo com a censura de forma alguma".