Milhares de haitianos celebraram a queda de Jean-Bertrand Aristide neste domingo. Em uma parada triunfal pela capital do país, eles gritavam "queremos Justiça" e pediam que o ex-presidente fosse colocado na prisão.
Os manifestantes erguiam nos ombros Guy Philippe, líder de um grupo de rebeldes que ajudou a derrubar Aristide, gritando ''Philippe, Philippe!''. Outro comandante rebelde, o ex-chefe do esquadrão da morte Louis Jodel Chamblain, dava autógrafos.
Soldados norte-americanos prontos para a batalha com metralhadoras, soldados franceses e a polícia nacional haitiana observavam os manifestantes, que se concentravam no subúrbio de Petionville e seguiam para o Palácio Nacional.
- Queremos que a comunidade internacional saiba que queremos paz -, disse Philippe, após fazer o ``V'' de vitória para a multidão.
Uma esperada manifestação em favor de Aristide, o herói da democracia haitiana acusado por seus inimigos de corrupção e de abusos dos direitos humanos, não aconteceu.
Aristide, um ex-padre católico romano que virou herói das massas empobrecidas do Haiti quando ajudou a derrubar a brutal ditadura da família Duvalier em 1986, foi expulso do país em 29 de fevereiro por uma revolta sangrenta que matou mais de 200 pessoas e por pressões dos Estados Unidos e de outros países.
Em caminhonetes, bicicletas, motos ou mesmo a pé, uma multidão estimada em mais de 3 mil pessoas andava pelas ruas de Porto Príncipe, dançando ao som de música, adorando os líderes rebeldes como se fossem estrelas de rock e lançando insultos ao presidente deposto.
- Não queremos Aristide de volta - disse Charles Baker, líder de um movimento político de oposição. Baker disse que adversários do ex-presidente estão pressionando pela rápida formação de um novo governo.
Um conselho de anciãos está prestes a escolher um premiê para substituir Yvon Neptune, um aliado de Aristide que deve ser tirado do governo no início dessa semana.
Entre os prováveis candidatos estão Smarck Michel, um empresário que serviu como premiê em 1994 e 1995 mas que acabou rompendo com Aristide por diferenças na política econômica, o ex-general do Exército Herard Abraham, o ex-ministro das Relações Exteriores Gerard Latortue e Axan Abellard, do Centro pela Livre Iniciativa e Democracia.