Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026

Haiti realiza segundo turno das eleições

Terça, 22 de Março de 2011 às 07:35, por: CdB

As voltas do ex-ditador Baby Doc e do ex-presidente Aristide, eleito e deposto duas vezes, marcaram o pleito

 22/03/2011

Da redação

 

Quatro meses depois do início das eleições no Haiti, a população do país caribenho foi convocada no domingo (20) para participar do segundo turno do pleito.

Para a sucessão de René Preval na presidência concorriam a ex-primeira-dama Mirlande Manigat e o cantor popular Michel Martelly. Os haitianos também puderam escolher sete dos 30 senadores e 79 dos 99 deputados do país. Segundo o Conselho Eleitoral Provisório (CEO), os resultados preliminares serão anunciados em 31 de março, e o definitivo, em 16 de abril.

Cerca de 4,7 milhões de eleitores estavam aptos a votar em mais de 1,5 mil centros eleitorais. Segundo observadores, a participação de votantes foi maior do que no primeiro turno, que ocorreu em 28 de novembro. Pesquisas recentes de opinião mostravam Martelly a frente de Manigat.

A realização do segundo turno foi considerada satisfatória pelo presidente do Conselho Eleitoral Provisório, Gaillot Dorsinvil. "A democracia triunfou. Essa é a lição da jornada", afirmou em uma coletiva de imprensa.

Dorsinvil também destacou a redução da violência em comparação com o primeiro turno, que foi marcado por protestos e denúncias de fraude no processo. No entanto, o presidente do CEO reconhece que houve incidentes no domingo.

Duas pessoas morreram depois de serem atingidas por tiros e outras três ficaram feridas. Um dos crimes ocorreu em Marchand Dessalines (norte do país), e o outro em Mare Rouge (noroeste).

Uma das vítimas é um homem que se envolveu em uma briga. Durante a confusão, outras três pessoas ficaram feridas. Em Mare Rouge, um homem armado atirou contra uma sessão eleitoral e atingiu um jovem de entre 25 e 30 anos, que não resistiu ao ferimento. Foi necessário fechar quatro sessões eleitorais por causa dos incidentes.

Houve ainda denúncias de irregularidades. No centro de votação do Liceo Fritz Pierre-Louis, no centro da capital, Porto Príncipe, mais da metade das 21 mesas eleitorais não havia recebidos as urnas, as cabines de votação e tinta para marcar as digitais dos eleitores duas horas depois do início das votações. Situações semelhantes também foram registradas em outros locais do país.

O processo eleitoral no Haiti se deu em meio a uma epidemia de cólera que matou cerca de 4,7 mil pessoas. Junto a isso, os haitianos lutam pela reconstrução do país, devastado por um terremoto de janeiro de 2010.

 

Retornos

Recentemente, dois ex-chefes do Executivo do Haiti retornaram ao país. Um foi o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, Baby Doc, que herdou o governo repressivo de seu pai, Fraçois Duvalier, ou "Papa Doc" e teve que renunciar do cargo e fugir do país em 1986, quando um levante popular pressionou-o a sair do poder. Duvalier está sendo processado por tortura e crimes contra a humanidade.

Outro ex-líder haitiano que voltou é o ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, que foi eleito em 1990, logo após o período de transição que sucedeu a queda de Baby Doc e da formação de uma nova Carta Constitucional. No entanto, Aristide ficou poucos meses no governo, sendo deposto pelo general Raoul Cédras. Ele voltou à presidência após uma intervenção internacional, mas foi deposto pela segunda vez em 2004. Desde então ele vivia na África do Sul, onde esteve exilado por sete anos.

Em entrevistas, Aristide esclareceu que seu regresso está relacionado à sua intenção de apoiar a reconstrução do país, em especial na área educativa.

 

(Com informações de agências)

 

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