O Haiti tentava organizar um novo governo nesta sexta-feira, mas partidários do presidente exilado Jean-Bertrand Aristide denunciaram a "ocupação" estrangeira do país.
"Não gosto de ver norte-americanos em nosso palácio. Estamos sob ocupação", disse Omicar Olamy, uma das cerca de 300 pessoas que assistiam, junto à cerca de ferro que circunda do Palácio Nacional, ao hasteamento da bandeira haitiana e à execução do hino nacional, sob a vigilância de fuzileiros navais norte-americanos.
Veículos do Exército dos Estados Unidos, armados com artilharia pesada, patrulhavam as ruas da capital, Porto Príncipe, para mostrar aos grupos rebeldes e aos militantes pró-Aristide que era hora de baixar as armas.
Cinco dias depois da derrubada de Aristide por uma rebelião violenta, começou a trabalhar um conselho tripartite, formado por um adversário político de Aristide, um representante das nações estrangeiras e uma pessoa indicada pelo governo.
A ministra responsável pelos haitianos que vivem fora do país, Leslie Voltaire, é a representante do governo. A oposição política escolheu o ex-senador Paul Denis, e a comunidade internacional apontou Adama Guindo, coordenador-residente da ONU.
O conselho vai selecionar em até uma semana um "Conselho de Sábios" de sete pessoas, para então escolher um novo primeiro-ministro e iniciar o estabelecimento de um novo governo.
O Legislativo haitiano está praticamente inativo desde o início de janeiro. Ainda não estava definido se o presidente interino, Boniface Alexandre, seria formalmente empossado. A Constituição exige que sua posse seja ratificada pelo Legislativo.
Patrulhamento
Os soldados vindos dos EUA, do Chile e do Canadá para o Haiti totalizam dois mil, de acordo com os comandantes da força multinacional aprovada pela ONU para restabelecer a ordem, depois de semanas de saques e confrontos armados, que culminaram com a fuga de Aristide para o exílio na África, no domingo.
Mais de cem pessoas morreram na revolta, que começou em 5 de fevereiro, quando um grupo armado contrário a Aristide tomou a cidade de Gonaives. Ex-soldados e ex-paramilitares se juntaram aos rebeldes. Do exílio, Aristide alega que foi sequestrado. O governo dos EUA nega a acusação.
Moradores de Porto Príncipe afirmam que ainda há confrontos armados durante a noite, entre partidários e opositores de Aristide. Organizações não-governamentais começaram a distribuir comida e remédios a hospitais, orfanatos e asilos, mas afirmam que tem de haver mais segurança para que possam chegar aos mais necessitados.