Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Haiti aceita propostas para tirar o país da crise

Haiti aceita propostas para tirar o país da crise

Sábado, 21 de Fevereiro de 2004 às 14:27, por: CdB

O presidente do Haiti, Jean Bertrand Aristide, anunciou neste sábado que aceita completa e inteiramente as propostas da comunidade internacional para tirar o país da crise. "Aceito o plano pública e totalmente... em uma palavra, sim", afirmou Aristide depois de reunir-se com uma delegação internacional no palácio presidencial. "Demos nossa resposta por escrito", precisou Aristide.

- Tudo isso está relacionado com o tema da segurança e do Fraph (um grupo de ex-militares). Vamos continuar com nosso programa de desarmamento, devemos nos unir. O desarmamento é para todo mundo - respondeu ao ser indagado sobre a possibilidade de desarmamento de seu país.

Por outro lado, os Estados Unidos ordenaram também neste sábado que seu pessoal diplomático não essencial deixe o Haiti por causa do clima de violência. O departamento de Estado indicou, em um comunicado, que ordenou a partida de todos os membros das famílias e do pessoal não essencial da embaixada americana em Porto Príncipe. A missão americana funcionará, dessa maneira, com um pessoal reduzido ao mínimo.

O comunicado recorda, além disso, que os Estados Unidos aconselham fortemente a seus cidadãos que se encontram no país que partam imediatamente enquanto estão disponíveis os vôos comerciais.

Situação em povoado haitiano tomado por rebeldes é crítica

O abastecimento de alimentos e medicamentos no povoado de Ouananmithe, localidade do Haiti mais próxima da província dominicana de Dajabón, é crítico, segundo um advogado e um sacerdotes residentes no local.

Os rebeldes da oposição ao presidente Jean-Bertrand Aristide ocuparam o povoado, na última quinta-feira, e incendiaram a delegacia do local no mesmo dia. Este povoado se abastece de alimentos que chegam por uma estrada procedente de Porto Príncipe, e que agora está ocupada por barricadas, e dos mercados fronteiriços com a República Dominicana, que ultimamente tiveram suas atividades suspensas devido à tensão política do país.

O sacerdote Elliance Martyniomi disse que os rebeldes tentam conseguir alimentos nos depósitos das escolas. Martyniomi alertou que se uma pessoa adoecer, não pode receber os primeiros socorros. O responsável do Serviço Jesuíta para Refugiados no Haiti, Pierre Coicoup, disse que o hospital de Ouananmithe está quase vazio. Por sua vez, o advogado especialista em direitos humanos Maismy Mary Fleurant disse que a oposição a Aristide está queimando casas de seguidores do Governo. "Não há ordem. Os rebeldes são os policiais daqui", disse.

Kesmy Robert, que se identificou como porta-voz dos rebeldes, afirmou que se trata de uma batalha contra o Governo (..) porque o Haiti tem que ter outro tipo de desenvolvimento. A comunidade internacional deu até a próxima segunda-feira como prazo para que Aristide e a oposição política haitiana aceitem um plano que dê um fim à crise.

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