Haddad critica ação policial na cracolândia: 'foi lamentável'
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), classificou como "lamentável" a ação da Polícia Civil na região conhecida como "cracolândia", no bairro da Luz, onde o poder municipal em convênio declarado com o federal e o estadual desenvolve um programa de recuperação de usuários de crack.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), classificou como "lamentável" a ação da Polícia Civil na região conhecida como "cracolândia"
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), classificou como "lamentável" a ação da Polícia Civil na região conhecida como "cracolândia", no bairro da Luz, onde o poder municipal em convênio declarado com o federal e o estadual desenvolve um programa de recuperação de usuários de crack. Por volta das 16h de quinta-feira, policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) chegaram ao local agredindo quem estava na rua, além de atirar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. O Denarc afirmou que a violência foi resposta à resistência encontrada para prender um traficante.
- Todas as ações naquela região estão sendo pactuadas com o governo do Estado, mas essa ação não foi pactuada com o governo municipal. O governo municipal não tinha o menor conhecimento do que ocorreria ali. Se tivéssemos tomado conhecimento não concordaríamos com a maneira como foi procedido - disse Haddad, durante entrevista coletiva.
Além de usuários de drogas, estavam no local agentes de saúde, jornalistas e o secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto. "Eu liguei para o governador (Geraldo Alckmin), expus a ele a situação. Inclusive dos agentes da municipalidade que atuavam lá, o próprio secretário Porto estava lá e foi objeto da ação como todos, não só presenciou, mas foi vítimas de uma ação desnecessária e não pactuada. O que nós cabe nesse momento é manifestar nossa indignação e reafirmar nosso compromisso com o programa", afirmou.
Porto estava no local ao lado de policiais militares aguardando representantes do Ministério Público e relatou houve um pequeno tumulto quando um carro do Denarc. Meia hora depois de a viatura ter deixado o local, outras dez fecharam a rua. "E aí fizeram uma incursão desastrosa, com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha", descreveu.
Em nota, a prefeitura afirmou que "repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química".
Para o secretário da Coordenação das Subprefeituras, Chico Macena, a ação pode comprometer o programa, cujo principal trunfo foi ter conseguido travar um diálogo e obter a confiança dos moradores de uma favela instalada em julho na região e removida sem resistência durante a operação. "Esse tipo de ação pode comprometer essa relação de confiança que foi estabelecida ao longo desses meses. E isso nós não podemos permitir", disse.
O secretário enfatizou que a metodologia adotada na Braços Abertos não pressupõe o uso da violência e apontou diferença em relação a operações anteriores encabeçadas pelo governo estadual e o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). "Não mediremos esforços para que a gente tenha uma política diferenciada do que foi feito até hoje na perspectiva da recuperação dos usuários de drogas e a cidade não tenha de conviver com aquelas cenas que a gente viveu alguns meses atrás. Com a população perambulando pela cidade, vulnerável e a mercê desses traficantes."
Questionado se acreditava que a ação havia sido um boicote do governo do tucano Geraldo Alckmin à ação petista que vem sendo bem avaliada, Macena disse apenas: "O que queremos acreditar e reafirmar é que essa parceria continue. Que os procedimentos todos possam ser pactuados com a prefeitura e quando houver algo que fuja do que foi pactuado a prefeitura possa ser informada".
A prefeitura pretende continuar com as atividades que estavam planejadas. Amanhã, as pessoas que aderiram ao Braços Abertos devem receber o primeiro pagamento pelos serviços previstos no programa, no valor aproximado de R$ 135.
O projeto inclui três refeições gratuitas por dia e a contratação para serviço de varrição de rua e zeladoria com carga de quatro horas diárias, mais duas de qualificação e salário de R$ 15 por dia de trabalho. A operação era bem avaliada pela gestão Haddad, que esperava mais dificuldades do que as surgidas até agora. Diariamente, os secretários responsáveis pelo trabalho têm feito vistorias no local.
Leia abaixo comentário do blog Maria Fro:
O que aconteceu ontem em São Paulo na chamada região da Cracolândia passou todos os limites . Todos.Precisamos recordar que vivemos sob um Estado de exceção em São Paulo, um Estado que provocou Mães de Maio, ao assassinar quase 500 pessoas com a desculpa de reação ao PCC em maio de 2006. Um Estado que desalojou cerca de 9000 pessoas – Pinheirinho – em benefício de um especulador que quebrou a bolsa de valores . Um Estado que em matéria de saúde pública e mental sempre agiu na Cracolândia com a força das armas.Mas este Estado ontem agiu à revelia das instituições, atropelou um comando de um ente federativo e criou uma crise institucional.Não é possível que a Polícia Civil aja à revelia de um comando superior, policiais civis não entrariam atirando numa área com profissionais da prefeitura trabalhando, deixando várias pessoas feridas sem que recebesse ordem superiores e sem que o governador tivesse informação e desse autorização para esta operação.Este governo aloprado atropelou o comando do prefeito Haddad.Haddad, o republicano, soltou nota de repúdio. Mas isso não é nada diante da gravidade da situação e um prefeito (ao menos que ele também se torne um fora da lei) não pode fazer nada , pois para isso existe Ministério Público, existe Justiça pra punir um governador que atropela um prefeito.Por isso a minha questão: O que farão os órgãos competentes capazes de tomar uma medida coercitiva contra este Estado opressor, truculento que só age contra a população que deveria proteger?O governo tucano pode com sua polícia truculenta agir impunemente e eternamente?O que farão os ativistas da saúde mental que cobram sempre ações concretas do Ministério da Saúde, dos governos e que agora têm, pela primeira vez na história da cidade, uma efetiva política de tratamento aos dependentes químicos da Cracolândia que entrava governo saía governo eram tratados menos que bichos?O que farão os ativistas dos movimentos sociais, especialmente do movimento negro tão críticos ao PT, já que esta população de desassistidos é majoritariamente negra?O que fará a Justiça que só legisla a favor dos poderosos impedindo o mesmo prefeito de aplicar imposto redistributivo na cidade?O que fará o Ministério Público formado de Demóstenes e Zagallos?O que fará a sociedade civil não embrutecida, que ainda não naturalizou a barbárie?A imprensa tucana hoje já fez press release em defesa do governador justificando a ação aloprada da polícia que passou por cima de um ente federativo criando a maior crise institucional dos últimos tempos.O que farão todos?Policiais civis de SP são suspeitos de comandar tráfico na cracolândia
A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo investiga se parte do tráfico na região da cracolândia é comandada por dois policiais civis, um deles do departamento criado unicamente para combater esse tipo de crime: o Denarc.
Ontem, em busca de informações sobre esses policiais, agentes em um carro da Corregedoria da Polícia Civil acompanharam à distância a operação na região.
A Folha apurou que a prisão desses policiais deve ser acelerada porque a presença desse veículo foi notada, o que pode provocar a fuga dos dois suspeitos.
A Polícia Civil confirmou que um carro da Corregedoria esteve no local. Disse, porém, que o órgão foi acionado pelos usuários da cracolândia, durante a ação policial, por causa de supostos excessos.A operação na cracolândia visava prender traficantes, segundo o Denarc.
A reportagem apurou que, para a cúpula da polícia, a prisão desses suspeitos não tem ligação com os policiais corruptos e, por isso, foi apoiada pela diretoria do departamento e pela Secretaria da Segurança Pública.
A pasta divulgou nota atestando que a ação “legítima”.
No texto, o governo também reforçou a versão da polícia de que não foram usadas balas de borracha contra os usuários de crack. Vítimas dizem que houve disparos desse tipo de munição.
Operação na cracolândia‘Desastrosa'“Dez carros da Polícia Civil fecharam a via e fizeram um incursão desastrosa com bala de borracha e bomba”, disse o secretário municipal da Segurança Urbana, Roberto Porto, que presenciou a ação da polícia.A diretora do Denarc, Elaine Biasoli, nega que ação tenha sido desastrada ou que seus policiais tenham utilizado munição de borracha.Admite o uso apenas de bomba de efeito moral.“Teve esse confronto por quê? Porque eles vieram para cima. Temos viaturas danificadas, policiais feridos.”Segundo a delegada, as espingardas calibre 12, usadas para disparar balas de borracha, vistas no local estavam descarregadas: “Nós estamos sem bala de borracha. Nós fizemos o pedido, mas elas ainda não chegaram. [A espingarda] Era só para intimidar”.A delegada rebateu as críticas feitas pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e negou que operação tenha sido “surpresa”.“Não é operação surpresa. Nós temos ação diária, costumeira, rotineira, na cracolândia. Desde dezembro, prendemos 65 traficantes só na cracolândia.”
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