Um hacker americano foi acusado de ter cometido um crime considerado extraordinariamente complexo, envolvendo violação ilegal de sistemas de segurança de computadores, roubo de identidade e negócios fraudulentos no mercado financeiro.
O escritório da Procuradoria da República em Massachusetts acusou Van Dinh, de 19 anos, de fraudes financeiras, fraudes com correspondência e de causar danos relacionados ao uso não autorizado de um computador.
Ao mesmo tempo, a Securities and Exchange Commission (SEC), comissão que regula o mercado financeiro nos Estados Unidos, apresentou uma reclamação formal contra ele, alegando "várias violações das leis federais".
Os dois processos acusam Dinh de entrar em contas de clientes de uma corretora americana para poder comprar e vender ações e de adotar uma série de nomes falsos para tentar esconder os próprios atos.
Corretora
Mas, segundo a SEC, as autoridades - uma vez alertadas - foram capazes de revelar e acabar com a fraude sem grandes dificuldades.
"Para aqueles que tentam usar o anonimato da internet para transformar investidores em vítimas, a nossa mensagem é muito clara: nós iremos encontrá-los e iremos responsabilizá-los pelos seus atos", disse Linda Chatman Thomsen, da SEC.
A fraude do adolescente surgiu de uma tentativa de evitar perdas com opções no mercado acionário - instrumentos financeiros que permitem que os investidores especulem ao comprar ou vender ações a preços e datas pré-combinados.
Segundo a reclamação feita pela SEC, Dinh comprou 9,1 mil opções em ações da empresa de hi-tech Cisco Systems por US$ 10 (aproximadamente R$ 29) cada em junho - opções que pareciam estar no caminho da desvalorização à medida em que o prazo para que elas expirassem - meados de julho - se aproximava.
Correndo o risco de sofrer perdas catastróficas, Dinh teria obtido os e-mails de outros investidores e enviado a eles um programa denominado como uma ferramenta para fazer mapas, mas que era, na verdade, um "Cavalo de Tróia", que permitia que ele espionasse em seus computadores.
Usando a senha e outras informações pessoais obtidas dessa maneira, alega a SEC, Dinh então entrou em uma conta de um cliente da empresa TD Waterhouse e o usou como um falso comprador para as suas opções.
A SEC afirma que, com essa transação, Dinh conseguiu evitar a perda de US$ 37 mil (R$ 107 mil).
Caso complexo
O problema com a trama de Dinh foi que o dono legítimo da conta na TD Waterhouse naturalmente notou as perdas pesadas, assim como as milhares de opções em ações sem valor.
Dinh tentou encobrir as suas pistas ao usar provedores de internet da Irlanda, Alemanha e Austrália - precauções que, segundo a SEC e o FBI, foram facilmente descobertas.
O caso é o primeiro relacionado à manipulação ilegal de computadores (conhecida como hacking em inglês) no qual a SEC se torna seriamente envolvida.
Se Dinh for condenado, ele poderá receber uma das penas mais pesadas já produzidas neste tipo de crime.
A Procuradoria americana afirma que o crime de fraude financeira pode ter pena máxima de 20 anos de prisão, com mais dez anos para crime relacionados ao uso não apropriado de um computador.
Além disso, as leis prevêem três anos de condicional e uma multa de até US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,9 milhões).
A SEC também quer que Dinh pague todo o dinheiro roubado e indenizações, em valor não especificado.