Rio de Janeiro, 16 de Setembro de 2026

Hábitos de Bush preocupam o mundo

Por Marco Aurélio Weissheimer - Já há quem se pergunte nos EUA se o apreço pela tortura, pela violação sistemática dos direitos humanos, pela transformação da guerra em negócio e pela mentira estariam atrapalhando as atividades do presidente George W. Bush. (Leia Mais)

Quinta, 13 de Maio de 2004 às 06:54, por: CdB

George W. Bush nunca escondeu seu apreço por uma boa guerra, uma oportunidade para seus amigos fazerem bons negócios, uma mentira lucrativa, uma nova fonte de capital, a mais potente cachaça da América. Mas agora, alguns de seus conterrâneos começaram a se perguntar se a predileção do presidente por esses hábitos está afetando sua atuação no governo e a atuação do país no mundo.

Nos últimos meses, o governo de direita de Bush tem sido atacado por uma crise atrás da outra, variando das denúncias sobre empresas amigas fazendo negócios milionários no Iraque ao vazamento das sessões secretas de torturas, estupros e execuções de prisioneiros iraquianos. O presidente tem se mantido distante das areias do Golfo Pérsico, deixando seus assessores fazerem grande parte do trabalho pesado. Isto tem provocado especulação de que seu aparente não envolvimento e passividade poderiam estar de alguma forma ligados ao seu apreço pelo sangue alheio. Aqueles que o apóiam, como Donald Rumsfeld e Condolezza Rice, negam os relatos dessa atração excessiva.

Apesar de líderes políticos, democratas e republicanos, e jornalistas estarem cada vez mais falando entre eles sobre os peculiares hábitos do presidente, poucos estão dispostos a expressar seus receios publicamente. Uma exceção é Michael Moore, jornalista e documentarista que acompanha a trajetória de Bush há muitos anos e teme que o presidente esteja destruindo os neurônios e a consciência da América. Moore gosta de lembrar uma declaração de Bush, feita no dia 14 de junho de 2001, a propósito de sua vitória eleitoral. "É impressionante que eu tenha vencido", disse Bush. "Eu estava concorrendo contra paz, prosperidade e responsabilidade". A frase foi dita pelo presidente ao primeiro-ministro suíço Goran Person, sem saber que uma câmera de TV estava registrando a conversa ao vivo.

Moore escreveu um livro sobre os hábitos políticos e privados de George W. Bush. Em Stupid White Men ("Estúpidos Homens Brancos"), chega a escrever uma carta ao "presidente" (palavra usada sempre entre aspas pelo fato de o autor não considerá-lo eleito, mas sim levado à Presidência por um golpe de Estado), em que pede que ele responda três questões relevantes ao mundo e ao povo norte-americano. As perguntas são:

1. "George, você é capaz de ler e escrever em um nível adulto?"
2. "Você é alcoólatra? Se sim, como isso afeta sua performance como Comandante-Chefe?
3. "Você se droga?"

Ao receber o Oscar de melhor documentário por "Tiros em Columbine", Moore voltou a externar suas preocupações com o comportamento do presidente. Ao homenagear seus colegas de produção, Morre disse: "Em nome de nossos produtores Kathleen Glynn e Michael Donovan (que é do Canadá), eu gostaria de agradecer a Academia por este prêmio. Eu convidei meus colegas de categoria para subir comigo ao palco. Eles estão aqui em solidariedade porque nós gostamos de não-ficção. Nós gostamos de não-ficção, contudo vivemos em tempos fictícios.

Vivemos em um tempo onde temos resultados fictícios de uma eleição que elege um presidente fictício. Vivemos em um tempo onde temos um homem nos enviando para a guerra por razões fictícias. Não importa se é a ficção das fitas de vídeo ou dos alertas vermelhos. Nós estamos contra esta guerra, Sr. Bush. Tenha vergonha, Sr. Bush, tenha vergonha. Quando você tem o Papa e os Dixie Chicks contra você, é porque seu tempo acabou".

Os porta-vozes de Bush se recusam a discutir essas críticas aos hábitos do presidente, dizendo que não respondem a acusações infundadas. Eles consideraram que as "especulações" sobre a responsabilidade de Bush com as mortes, torturas e atrocidades que estão ocorrendo no Iraque são "uma mistura de preconceito, desinformação e má fé".

Bush, ex-homem de negócios do setor petrolífero, provou ser um homem de apetites e impulsos fortes, o que faz com seja muito apreciado pelos amigos. O vice-presidente Dick Cheney, por exemplo, que antes de ser s

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