O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, admitiu nesta quarta-feira, em entrevista a uma emissora de rádio carioca, que o estado passa por um momento de "descontrole", mas pediu que a população tenha paciência e compreensão para esperar os resultados da política do governo de combate à violência. A entrevista à rádio CBN foi concedida 12 horas após a capital fluminense ter sido assolada por novos atos criminosos, que resultaram no fechamento de duas vias expressas, a Avenida Brasil e a Linha Amarela. "Há uma situação de descontrole", declarou o secretário. "Tentar negar isso é tentar negar a realidade". Empossado há 10 dias por sua esposa, a governadora Rosinha Matheus, como um recurso derradeiro contra a pior onda de violência já verificada no estado, Garotinho ressaltou que não será da noite para o dia que o combate ao crime organizado surtirá efeito. - Não existe uma solução para esta questão em uma semana, em um mês, em dois meses -, observou. Garotinho fez um apelo para que todos os setores da sociedade participem da luta contra a violência. - Esta é uma situação grave, que requer humildade de todas as pessoas, que requer união de todas as pessoas. Não há possibilidade de vencermos esta situação se estivermos separados -, disse, na entrevista à CBN. - Este é o maior desafio da minha vida, que requer equilíbrio, responsabilidade e união de todos -, acrescentou. No final da noite da última terça-feira (6), um tiroteio entre quadrilhas rivais de traficantes nas proximidades do complexo de favelas da Maré provocou a interdição da Avenida Brasil, a principal via de acesso ao Rio de Janeiro, e da Linha Amarela, que liga as zonas norte e oeste da cidade, por uma hora. Na véspera, em outra madrugada de violência na cidade, nove pessoas morreram em diversos incidentes. No mais grave, traficantes dispararam contra o campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, zona norte, atingindo a estudante Luciana Novaes na cabeça. O estado de Luciana, nesta quarta-feira, permanecia crítico. Os médicos do Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, induziram a universitária ao coma e pretendem submetê-la a uma cirurgia na próxima quinta-feira, para a remoção da bala que se alojou em sua coluna. Luciana, de 19 anos, respira com o auxílio de aparelhos e não apresenta qualquer sinal de atividade motora.
Há uma situação de descontrole no Rio, declara Anthony Garotinho
Quarta, 07 de Maio de 2003 às 12:48, por: CdB