Há um ano, quando a crise alimentar ainda não havia chegado às principais páginas dos jornais, Fidel Castro já previa o problema. O ex-presidente cubano, que não aparece publicamente desde a cirurgia intestinal de julho de 2006, mas até hoje escreve para o jornal Granma, em seu primeiro artigo alertou o mundo sobre o absurdo de produzir combustível através dos alimentos.
Ele atacou a aliança entre Brasil e EUA para a produção de biodísel e reiterou que o interesse norte-americano pela nova tecnologia elevaria o preço dos alimentos e provocaria uma crise alimentar global.
"Mais de 3 bilhões de pessoas no mundo estão sendo condenadas a uma morte prematura de fome e sede. Não é exagero, e sim uma cifra conservadora", escreveu Fidel naquele artigo e completou dizendo que a idéia de transformar alimentos em combustíveis parecia "sinistra".
Durante uma grave crise energética no país, Fidel instituiu medidas para a redução do consumo de energia. Fez com que toda a população trocasse as lâmpadas comuns por fluorescentes e também fez com que as geladeiras antigas fossem trocadas por modelos chineses novos e econômicos.
"Acho que reduzir e reciclar todos os motores operados a combustível e eletricidade é uma necessidade urgente e elementar de toda a humanidade", escreveu ele na primeira coluna.
Em outros momentos de sua vida política, Fidel também aconselhou países como o Brasil, a China e a Índia a não seguirem os padrões de consumo norte-americanos, pois isto poderia significar um verdadeiro colapso para a Terra e seus recursos naturais.