Às vésperas de completar um ano da morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, assassinada por uma quadrilha de grileiros em Anapu, Pará, o governo federal iniciou uma série de ações na região amazônica com o objetivo de impedir que grupos criminosos continuem em atividade. A iniciativa é uma forma de tentar demonstrar à população do Estado e à comunidade internacional que o país não está inerte diante dos diversos conflitos enfrentados naquela região, que envolvem desde a disputa por terras até a presença de narcotraficantes.
Como parte do pacote de ações, a Polícia Federal iniciou a destruição de 34 pistas de pouso clandestinas localizadas na bacia do rio Xingu, no coração do Pará, a área é conhecida como Terra do Meio. No local, em 2005, foi criada a Estação Ecológica da Terra do Meio, zona de preservação ambiental integral com cerca de 3,3 milhões de hectares e que será totalmente desocupada nos próximos anos para a recuperação da floresta.
- Estamos promovendo a ocupação do país pelo Estado brasileiro - afirmou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que participou da destruição da primeira pista clandestina acompanhado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
- É um trabalho que não é pirotécnico e que vai fazer diferença na história da preservação - disse a ministra.
EXPLOSÃO
A primeira a ser destruída foi a pista clandestina instalada na Fazenda Limão, a cerca de 140 km de São Félix do Xingu, dentro da estação ecológica. A pista era utilizada para manter a atividade da fazenda e foi localizada, juntamente com as demais, durante um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em meados do ano passado.
Nessa ação, foram utilizados 500 kg de dinamite espalhados em 30 furos com até dois metros de profundidades. Operação semelhante será repetida nas demais pistas clandestinas.
- A intenção é bloquear definitivamente todos os acessos à estação, acabar com todas as entradas - explicou Thomaz Bastos pouco antes da explosão, que levantou uma coluna de poeira com mais de 30 metros de altura.
Segundo o coordenador de Operações Especiais de Fronteira, delegado Mauro Spóstio, a destruição da pista feita dessa forma torna difícil sua recuperação, porque a explosão causa a descompactação do solo no local. Segundo ele, o governo vai desembolsar 500 mil reais em toda a ação.
- Essas pistas são usadas para todos os tipo de crimes - afirmou Spósito.
TERRA DO MEIO
A Terra do Meio, onde fica a Estação Ecológica, é um território com cerca de 7,6 milhões de hectares cercado por reservas indígenas por todos os lados. O governo atribui ao povoamento dos índios o bloqueio do avanço das frentes de ocupação de terras provenientes da região Centro-Oeste do país. A região integrada por essa área, mais o cerrado e a floresta amazônica formam um corredor ecológico com cerca de 25 milhões de hectares na bacia do rio Xingu.
Nessa área, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou, no ano passado, cinco dias após o assassinato de Dorothy, em 12 de fevereiro, a Estação Ecológica da Terra do Meio, uma área onde não pode haver nenhum tipo de atividade de exploração. Atualmente, 500 famílias vivem da exploração dessa área. Todas serão retiradas.
- É uma área do governo federal. Portanto, não há que se falar em desapropriação. Levantar a cadeia dominial na Amazônia é muito difícil - observou Marina ao comentar a questão possessória das propriedades.
MISSIONÁRIA
O Estado do Pará é uma região historicamente marcada pelas disputas de terras, exploração indiscriminada de recursos naturais e pela forte presença do narcotráfico. Nela, a irmã Dorothy, como era conhecida a missionária norte-americana, iniciou na década de 1970, atividades junto aos trabalhadores rurais da região do Xingu. Por meio de seu contato com a