Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

H1N1: famílias sofrem com atendimento médico em SP

Pais e mães de São Paulo têm sofrido, nas últimas semanas, para conseguir atendimento médico para seus filhos em meio a um surto fora de época da gripe H1N1.

Segunda, 28 de Março de 2016 às 12:18, por: CdB
O surto ocorre dois meses antes do previsto, e a vacinação contra o vírus influenza no Estado está marcada somente para o final de abril
Por Redação, com agências de notícias - de São Paulo:
Pais e mães de São Paulo têm sofrido, nas últimas semanas, para conseguir atendimento médico para seus filhos em meio a um surto fora de época da gripe H1N1. Tanto em unidades da rede privada como na pública, não há pediatras o suficiente, e o resultado disso tem sido prontos-socorros superlotados e espera de até cinco horas para o atendimento.
O surto ocorre dois meses antes do previsto, e a vacinação contra o vírus influenza no Estado está marcada somente para o final de abril.
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O surto ocorre dois meses antes do previsto, e a vacinação contra o vírus influenza no Estado está marcada somente para o final de abril
 
Neste final de semana, a reportagem da Folha percorreu hospitais privados da Zona Oeste e Sul e públicos da Zona Leste da capital. Em geral, na dúvida diante de sintomas de gripe, como tosse, nariz escorrendo e febre, os pais já correm para os prontos-socorros.
Quando se deparam com fila de espera de mais de duas horas, como ocorreu nos privados Sabará e Samaritano, alguns até desistem do atendimento e voltam para casa. Na última semana, a espera no pronto-socorro virou a rotina da assistente jurídica Fernanda Braga, 31. Ela levou o filho Samuel,  de 2 anos, quatro vezes ao Hospital São Camilo. O quadro gripal, com febre e vômitos, não passava.
– Fiquei preocupada porque há muito tempo não ouvia falar de H1N1. Em casa está todo mundo gripado – disse, na noite de sábado, enquanto esperava notícias sobre o filho —os exames descartavam a gripe aguda.
No também particular Samaritano, a fila de espera, que tem ultrapassado as quatro horas nos finais de semana, às 21h deste sábado estava em "só" uma hora e meia.
Nathali Muzzi, 22, era uma das que esperava, diante da febre e tosse persistentes de Helena, de um ano e dois meses. "Faz quatro dias que ela não está bem e decidimos trazer. A gente fica preocupado com esse surto de gripe."
Na porta do hospital, banners informam sobre a realização do exame de detecção da gripe e indicam maneiras de evitar o contágio. Já no Santa Catarina, na avenida Paulista, faixas também informavam sobre a "etiqueta da tosse ou espirro" para evitar a disseminação.
Lá, na triagem, os médicos têm distribuído máscaras para quem não se sente bem. A advogada Mara de Souza, 42, correu para o pronto-socorro quando a febre de Thiago, 7, bateu nos 40°C. "Ainda bem que era só uma virose", disse a mãe, aliviada.
No sábado, a reportagem encontrou gente que, para fugir da fila, correu do Sabará para o Samaritano e do Samaritano para o Sabará. No Sabará, a fila de espera na ala infantil era de três horas e meia. "Tem mais de 100 números na minha frente", gritava uma mãe ao celular. Ali, nem a mesa de desenhos ou o painel com bichinhos eram suficientes para passar o tempo.
Já na rede pública, pais têm feito peregrinação em busca de pediatras. Quando não se deparam com a falta desses profissionais, enfrentam filas de até duas horas só para preencher uma ficha.
Já para ficar frente a frente com um médico, são até cinco horas de espera. Em Itaquera, não havia pediatras no Hospital Municipal Waldomiro de Paula, conhecido como Planalto, e na AMA de mesmo nome durante a tarde, pelo menos até as 19h.
– Não tem pediatra desde cedo. Minha filha está aqui vomitando e com febre – disse o auxiliar de limpeza Acácio do Nascimento, 28, que levou a filha Nataly, 8, ao Planalto. A previsão era para que às 19h haveria um pediatra. Porém, até as 20h, não havia.
Em Cidade Tiradentes, também na zona leste, não havia especialistas no pronto-atendimento Glória e na AMA Castro Alves. Os dois pediatras disponíveis no bairro atendiam no hospital municipal. Muitas recorreram ao bairro vizinho, Guaianases, cujo hospital geral, do Estado, estava superlotado. Só havia dois pediatras ali. Mais horas na fila.
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