As organizações indígenas do Equador farão na próxima quinta-feira uma marcha contra o Governo em um 'primeiro aviso' ao presidente do país, Lucio Gutiérrez, que está enfrentando problemas com acusações de 'narcodólares' em sua campanha eleitoral de 2002.
O presidente da Federação de Indígenas Evangélicos (Feine), Marco Murillo, disse que na quinta-feira haverá manifestações de professores, estudantes, camponeses e outros setores sociais que se juntarão à marcha que percorrerá as ruas de Quito até o Palácio presidencial de Carondelet.
- Esta é uma marcha preventiva, um primeiro aviso a Gutiérrez para que retifique sua gestão - disse Murillo ao insistir que, se for comprovada a mão do narcotráfico na campanha eleitoral, o governante 'deve sair' da Presidência.
Murillo falou que as organizações sociais também preparam uma jornada de protesto em 10 de dezembro e que esperarão as decisões do Executivo sobre possíveis medidas econômicas para decidir se convocam um 'levante popular'.
O líder indígena afirmou que as manifestações são apoiadas pela Confederação de Nacionalidades Indígenas (Coanie), que em agosto passado abandonou uma coalizão com o Executivo e que desde então tem tachado Gutiérrez de 'traidor'.
- Vamos começar desenvolvendo mobilizações com estudantes, professores e sindicatos, mas os indígenas estão conversando sobre quando será o momento preciso para um movimento de protestos mais forte - comentou Murillo.
Ele falou sobre 21 de janeiro ser o dia de uma possível convocação para um 'levante popular', no terceiro aniversário da insurreição popular, feita por coronéis rebeldes liderados pelo mesmo Gutiérrez, que obrigou o então governante do país, Jamil Mahuad, a abandonar o poder.
Murillo disse que as organizações sociais exigem o esclarecimento das acusações de que a campanha de Gutiérrez foi financiada com mais ou menos 30.000 dólares contribuídos pela família Fernández-Cevallos, investigada por narcotráfico.
Além disso, demandou que seja esclarecida a ligação de autoridades -incluindo o vice-presidente Alfredo Palacio- com César Fernández, detido em uma operação contra um grupo de narcotráfico internacional.
Caso sejam comprovadas as denúncias, 'terá que se cumprir com a lei e o presidente terá que deixar seu posto', assinalou Murillo, que comentou que 'à margem desta crise, Gutiérrez tem uma dívida com o povo equatoriano' porque em sua gestão a pobreza aumentou e há mais pessoas à margem da sociedade.
- Seguiremos com as manifestações para que o Governo retifique ou, pelo menos, mude de rumo e se afaste das receitas do Fundo Monetário que só empobreceram a população - ressaltou.
Gutiérrez está na mira de organizações indígenas do Equador
Quarta, 26 de Novembro de 2003 às 02:40, por: CdB