O presidente destituído do Equador, Lucio Gutiérrez, afirmou, na sexta-feira, que foi tirado do cargo de maneira "inconstitucional" pela oligarquia equatoriana e pediu a seus seguidores unidade.
Em suas primeiras declarações públicas desde que foi destituído na quarta-feira, o ex-líder dirigiu-se a um grupo de simpatizantes da Província de Manabí. Ele assegurou que não abandonará o cargo e que onde quer que esteja continuará a lutar pelo povo equatoriano.
- O Congresso, como vocês sabem, me destituiu de uma maneira inconstitucional com 60 votos, sem julgamento político e sem que eu tivesse abandonado o cargo. Isso está sendo observado pela OEA (Organização dos Estados Americanos) - disse por telefone, em declarações gravadas e divulgadas pelo diário La Hora de Manabí.
Gutiérrez, que ficou apenas 27 meses no posto, foi destituído por "abandono de poder". Os legisladores acusaram-no de abuso de poder ao intervir com aliados políticos na Suprema Corte do país, em dezembro, usando-se de mecanismos ilegais. O vice-presidente Alfredo Palacio assumiu a Presidência.
A retirada de Gutiérrez foi precedida por grandes protestos de rua por mais de uma semana, quando se registraram dois mortos e dezenas de feridos.
Gutiérrez encontra-se refugiado na residência do embaixador brasileiro em Quito, esperando os últimos preparativos para que viaje ao Brasil, onde pediu asilo político. De acordo com normas diplomáticas, ele não poderá realizar atos partidários.
O governo de Palacio mantém conversas com o Brasil sobre o salvo-conduto que permitirá a saída de Gutiérrez, em meio a temores de que isso agrave os conflitos sociais no país.
Ele assumiu o cargo em janeiro de 2003 por um período de quatro anos.