Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Guitiérrez espera salvo-conduto para poder viajar ao Brasil

Sexta, 22 de Abril de 2005 às 03:33, por: CdB

Os ex-presidente do Equador, Lucio Guitiérrez, espera um salvo-conduto para poder viajar ao Brasil com segurança e livrar-se assim do assédio de dezenas de cidadãos que o culpam de todos os males que afligem o país.

O governo de Alfredo Palacio, que foi vice-presidente de Gutiérrez e que agora ocupa seu posto por sucessão constitucional, anunciou que não colocará empecilhos e que concederá o salvo-conduto para que seu antecessor possa ir ao Brasil.

Essa medida obriga a polícia a garantir a integridade física de Gutiérrez, no trajeto que separa a Embaixada do Brasil em Quito, onde se refugiou depois de ser destituído pelo Congresso, do aeroporto internacional "Mariscal Sucre", onde deve entrar em uma aeronave brasileira.

É que Gutiérrez, apesar de já ter deixado o cargo, ainda é o centro da raiva dos moradores de Quito, que em massa se lançaram desde 13 de abril às ruas para pedir sua demissão.

A Força Aérea do Brasil ordenou que um de seus aviões esteja preparado para "resgatar" Gutiérrez.

Grupos de cidadãos fazem guarda nos arredores da Embaixada e protestam pela decisão do Brasil por considerar que Gutiérrez deve responder ante a justiça equatoriana, entre outras coisas, pela morte do fotógrafo chileno Julio Augusto García, que morreu nos protestos de terça-feira.

Os manifestantes também acusam o ex-governante pelas mortes de uma mulher e de um jovem, cujos falecimentos são relacionados às mobilizações da quarta-feira.

A imprensa equatoriana se mantinha esta madrugada de guarda nas imediações da Embaixada brasileira em Quito, assim como no aeroporto "Mariscal Sucre", à espera dos movimentos que possam indicar a saída do país de Gutiérrez.

No Palácio presidencial se informou que a concessão do salvo-conduto é um assunto que está fora de qualquer discussão, pois é uma obrigação incluída na Convenção Internacional de Asilo Diplomático, da qual o Equador é signatário.

"Certamente" que o Equador concederá o salvo-conduto a Gutiérrez, "tem que fazê-lo", assegurou o novo chanceler da República, Antonio Parreira Gil, depois de reconhecer que seu país está impossibilitado de empreender alguma ação para deter o asilo.

A Força Aérea do Brasil precisou que a aeronave que "recuperará" Gutiérrez permanecerá na cidade do Rio Branco, no Acre, fronteiriço com o Peru, à espera da autorização para entrar no Equador.

Em Quito, alguns grupos sociais convocaram os cidadãos para uma vigília no aeroporto de Quito para tentar impedir a saída de Gutiérrez, embora saibam que isso é impossível. De qualquer forma querem demonstrar a ele que os protestos duraram até o último instante que esteve no país.

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