Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Guimarães Rosa une Minas Gerais a Parati

Quinta, 08 de Julho de 2004 às 11:29, por: CdB

O sertão ficou mais próximo do mar na quarta-feira, dia em que as Minas Gerais se uniram em música, verso e prosa ao Rio de Janeiro no show-homenagem ao escritor João Guimarães Rosa. O espetáculo deu início à 2a. Festa Literária Internacional de Parati, que acontecerá até domingo.

Mais de 1.000 pessoas compareceram à praça da Matriz, no centro histórico da cidade, para assistir à festa e ver o cantor Caetano Veloso, que fez uma apresentação-relâmpago de apenas duas músicas.

"Eu vim aqui para ver uma palhinha dessas, mas achei que ele ia cantar mais", disse a microempresária paratiense Fátima Santos, com um tom de decepção na voz, após o cantor encerrar a noite com a leitura de uma carta de Manuel Bandeira a Rosa, com comentários sobre a obra "Grande Sertão: Veredas", seguido da canção "A Terceira Margem do Rio".

Ele saiu rapidamente do palco, para decepção do público, que já tinha conferido o show da cantora Mônica Salmaso e do grupo Uatki. Ao final da apresentação, depois de manifestações ruidosas por um bis, os artistas voltaram ao palco para Caetano entoar "Cajuína".

Durante todo o espetáculo, as músicas foram pontuadas por intervenções dos músicos Arnaldo Antunes e Arto Lindsay, que leram trechos da obra de Guimarães Rosa para a platéia, trazendo os personagens do sertão das Minas Gerais que povoam os livros do autor, como o menino míope Miguilin e "a" jagunço Diadorim.

O mestre de cerimônias, o músico e professor de literatura José Miguel Wisnik, foi o responsável pelo clima "papo cabeça" que imperou na amarração da leitura de trechos dos livros com as músicas da MPB.

"Para um festival de literatura, teve texto no ponto certo. O legal é que mesclaram com muita música", disse o administrador de empresas Eloy Azzali, que está de férias na cidade.

A paratiense Fátima elogiou a organização do festival, melhor e mais estruturada que na primeira edição, mas preferiu o show do ano passado, que relembrou Vinicius de Moraes e teve show de Gilberto Gil. "Foi mais agitado", disse.

Com cabelos soltos, vestido vermelho e gestos contidos, Mônica Salmaso interpretou canções como "Correnteza", de Tom Jobim e Luiz Bonfá, e "Assentamento", de Chico Buarque.

Na letra dessa última, apareceram os neologismos de Rosa: "Zanza daqui/Zanza pra acolá/ Fim de feira, periferia afora/ A cidade não mora mais em mim/ Francisco, Serafim/ Vamos Embora/ Embora/ Ver capim, ver o baobá/ Vamos ver campina quando flora/ A piracema, rios contravim/ Binho, Bel, Bia, Quim Vamos embora."

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