Mantega rebate as críticas veiculadas na mídia conservadora
Ministro da Fazenda, Guido Mantega afirmou, nesta quarta-feira, que o cumprimento da meta fiscal ajustada de primário neste ano, de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), dependerá dos Estados e municípios cumprirem suas metas cheias. Mantega disse que sempre afirmou que o governo central (governo federal, Banco Central e Previdência) cumpriria sua meta cheia, e argumentou que o país passa por uma fase transitória de maus resultados nas contas públicas e que haverá reecuperação nos próximos meses.
– O governo tem total controle fiscal – afirmou Mantega a jornalistas, ao chegar no Ministério da Fazenda.
Mantega seguiu à risca a orientação da presidenta Dilma Roussef que, na véspera, determinou que sua equipe se empenhe na defesa da política fiscal, um debate em que o governo acredita ter sido "abandonado" pelo setor produtivo. Nos bastidores, integrantes do primeiro escalão dizem que o Executivo promoveu uma agenda de desonerações a pedido de empresários e que isso pesou no superavit primário (economia para abater a dívida pública).
Estes mesmos executivos, ouvidos pelo diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, argumentam que, à época do início das reduções de tributos, em 2011, vários representantes do mercado diziam aceitar um desempenho fiscal menor desde que o gasto privilegiasse investimentos e estímulos ao setor produtivo.
"Diante das críticas, acentuadas na semana passada após a frustrante performance do superavit primário de janeiro a setembro – queda de 49% – os principais ministros da Esplanada entraram em campo. Para cumprir a meta, o governo terá de economizar R$ 45 bilhões até dezembro, missão considerada árdua pelo mercado", acrescenta. Tanto o titular da Fazenda, Guido Mantega, como a da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, vieram a público repetir, "com números, não haver alarme fiscal à vista. Nas declarações, dizem que a dívida pública segue estável e que não houve aumento de despesas com pessoal durante os três anos de Dilma na Presidência da República".
Enquanto, reservadamente, interlocutores presidenciais afirmam serem "injustas" as críticas dos operadores de mercado, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, declarou ao outro diário conservador paulistano Estado de S. Paulo que a política fiscal brasileira está "sob ataque especulativo", atribuindo os recentes ataques à mídia ligada aos interesses do capital internacional.
"No empresariado, a crítica é que as desonerações foram dirigidas a setores específicos da economia e não geraram o impacto desejável de fazer a economia crescer. A necessidade de fazer uma defesa mais enfática da agenda econômica partiu de conclusão, feita pela cúpula do governo e demais conselheiros políticos -Lula à frente-, segundo a qual é preciso evitar que o noticiário negativo contamine a expectativa de futuro do eleitor" emenda a FSP.
"Embora os resultados sejam positivos, afirmam interlocutores, o grupo enxergou nas sondagens elementos que indicam risco de pessimismo maior em relação ao futuro, daí a ordem de fazer o 'enfrentamento' por meio da mídia", concluiu.
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