Rio de Janeiro, 16 de Março de 2026

Guerreiros israelenses e palestinos unem-se pela paz

Um grupo de soldados israelenses e palestinos resolveu promover a paz no Oriente Médio. (Leia Mais)

Quarta, 06 de Dezembro de 2006 às 08:57, por: CdB

Um grupo de soldados israelenses e palestinos resolveu promover a paz no Oriente Médio. Os combatentes, antes em lados opostos, são considerados heróis por uns e traidores por outros. Apresentando-se como "Combatentes pela Paz", dezenas de israelenses e palestinos, que antes eram inimigos, agora defendem a reconciliação.

- Há israelenses que me dizem: você é um assassino, o que está fazendo em Tel Aviv? - conta Osama Abú Karsh, palestino que passou três anos numa prisão israelense, um dos muitos guerreiros que, em algum momento, passaram a não obedecer mais as ordens de seus superiores e hoje contram suas histórias em povoados e universidades para fazer as pessoas compreenderem que a violência não vai resolver o conflito e que as duas partes devem atuar juntas para pôr fim à ocupação israelense.

Este, segundo o grupo, trata-se de um imperativo depois que o balanço da Intifada passou a apontar mais de 5,6 mil mortos, em sua grande maioria palestinos, desde que o conflito começou há seis anos.

- Tenho muitos amigos que me criticam porque tento alterar totalmente a idéia que se tem deste conflito. Eles consideram que o que eu faço é um crime - lamenta Ashraf Jader, um palestino de 28 anos que há pouco tempo lançava pedras e garrafas incendiárias contra os soldados israelenses.

A maioria deles faz parte do Fatah, o movimento fundado por Yasser Arafat. Nenhum membro do Hamas ou da Jihad Islâmica, dois movimentos radicais, participa das discussões de entrosamento com os israelenses. Avner Wishnitzer, um ex-membro de um comando de elite israelense, que rejeitou continuar em serviço depois do que viu em combate, reconhece que tem medo de se encontrar cara a cara com combatentes palestinos.

- É horroroso. Nossos encontros começaram em plena Intifada com membros de grupos de militantes do Fatah, algum dos quais eram mortos a cada dia por israelenses. Além disso, é possível que no passado tenhamos atirado uns nos outros - disse.

Superadas as dúvidas mútuas, os integrantes dos grupos de discussão não são ingênuos e não tentam exagerar o impacto potencial de sua iniciativa dentro de duas sociedades endurecidas pela violência e entrincheiradas em suas paixões. Osama Abu Karsh acredita que seus esforços não terão sido em vão se sua filha de 13 anos puder ver que existem "outros israelenses".

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