Por Mauro de Albuquerque Madeira 15/07/2011 às 22:46
Obama ameaça cortar gastos de previdência social, educação, saúde, emprego etc. nos EUA, mas despesas militares jamais serão tocadas.
15 julho 2011 Guerras sim, despesas sociais não
Barack Obama está suplicando aos congressistas estadunidenses que aumentem o limite de dívida pública dos Estados Unidos, para que o país não dê o calote nos seus credores, coisa que já está acontecendo na Grécia, Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e talvez no resto da Europa.
Ele ameaça cortar salários de funcionários públicos e verbas de fornecedores, despesas sociais com educação, saúde, previdência social etc. etc.
A grande potência parece estar falida, sustentada apenas na emissão de dólares sem lastro e principalmente no seu poder militar, mas já Napoleão dizia que baioneta serve pra tudo, menos para se sentar em cima dela.
O repugnante é que nenhum político, a começar por Obama, e ninguém na imprensa ousa levantar a hipótese herética de simplesmente parar uma das diversas guerras, por exemplo, trazer de volta os milhares de soldados norte-americanos que afligem e torturam o povo do Afeganistão, e deixá-lo cuidar do seu próprio destino (com ou sem o corrupto Karzai).
São bilhões de dólares gastos na mortífera máquina de guerra. Mas nessa despesa criminosa ninguém toca.
Obama vai cortar aposentadoria e serviços de saúde e educação do povo norte-americano, mas da máquina de guerra não se corta verba nem desperdício.
Tem de ter dólar e mísseis e bombardeiros para massacrar o Iraque, a Líbia, o Afeganistão, talvez o Irã, o Sudão, até o duvidoso aliado Paquistão, e quem quer que a paranóia ianque suponha venha por em risco a segurança e os interesses estratégicos e econômicos dos Estados Unidos.
Eles estão falidos, mas não podem conter a sua agressividade guerreira.
E, ao que parece, o povo estadunidense (ou a sua maioria) engole o corte do dispêndio público em atividades destinadas ao seu próprio bem estar coletivo, mas ninguém imagina que as absurdas despesas militares de agressão e intervenção pelo mundo afora devam ser contidas ou eliminadas.
Talvez seja ingenuidade supor que as guerras devam ser evitadas. É delas que nasce o lucro do sistema capitalista, a cínica destruição criativa, a acumulação de capital resultante da espoliação de povos indefesos, especialmente se tiverem petróleo e matérias primas a explorar.
Guerra é um crime que compensa. Obama e o Congresso dos EUA não vão desistir dela, ou delas.
E o povo dos EUA que reduza seus gastos sociais, seu emprego, sua renda (sempre vai ter brasileiro fazendo compras em Miami e Nova Iorque), mas os gastos de guerra são intocáveis.
E eles continuarão votando em Obama ou em qualquer outro, que gaste muito dinheiro nas campanhas eleitorais que compram os votos/mercadorias dos eleitores ingênuos ou mal intencionados, que aprovam as guerras de sempre, desde que o soldadinho morto não seja seu parente.
E se acham os anjos da democracia...