O jornal americano New York Times publicou nesta segunda-feira uma reportagem na qual afirma que integrantes de serviços secretos da Europa e dos Estados Unidos identificam algo que consideram preocupante: o aumento do fanatismo de radicais islâmicos nas ruas de bairros proletários de cidades industriais da Grã-Bretanha - como Crawley, Birmingham e Manchester - e em guetos árabes de Alemanha, França e Suíça e outras partes a Europa.
Segundo eles, o apelo à guerra santa nestes locais aumenta e se torna cada vez mais explícito; e, o que parece mais grave: está sendo respondido. Citando fontes da inteligência, o jornal afirma que centenas de jovens muçulmanos - a maioria esmagadora homens - atendem à convocação de grupos radicais afiliados ou alinhados com a rede terrorista Al-Qaeda de Osama bin Laden.
De acordo com as mesmas fontes, o nível de comunicação entre suspeitos de terrorismos e seus simpatizantes aumentou desde a oferta de trégua e o alerta recente de Bin Laden a Europa, feito em áudio divulgado por redes de TV árabes, este mês. O pico nas comunicações aumentou o temor de que um novo ataque na Europa esteja em estágio avançado neste momento.
Uma das fontes ouvidas pelo "NYT" afirmou: "O Iraque fortaleceu de forma dramática seu recrutamento". Ele afirmou ainda que algumas mesquitas atualmente exibem fotos de soldados americanos lutando no Iraque ao lado de cenas sangrentas de bairros iraquianos bombardeados. Segundo ele, detectar os recrutamentos é praticamente impossível, porque eles são feitos pessoalmente.
Os especialistas afirmaram ainda ao jornal que o aumento do recrutamento coincide com uma nova estratégia para levar a guerra santa à Europa. Integrantes da Al-Qaeda provaram ser extremamente oportunistas, diz uma das fontes, acrescentando que, agora, "eles decidiram tentar esfacelar a aliança ocidental", formada em torno da guerra ao terror e, em menor escala, na guerra do Iraque. "Eles focam sua energia em ataques a grandes países: EUA, Grã-Bretanha e Espanha, para assustar Estados menores", disse um oficial, que pediu para não ser identificado.
Os investigadores europeus dizem que alguns recrutas muçulmanos vão para o Iraque, mas um número maior deles fica em casa, possivelmente para juntar-se a celas que possam ajudar com a logística do terror ou começar operações, como a que veio à tona quando a polícia britânica apreendeu 500 quilos de explosivos em março, prendendo cinco paquistaneses.
O "NYT" afirma que "dando força a esse ódio estão alguns dos clérigos mais radicais que já pregavam a violência e o martírio antes dos atentados de 11 de setembro". Na sexta-feira, Abu Hamza, líder islâmico acusado de ser o tutor de Richard Reid, o inglês que tentou explodir um vôo de Paris para Miami com explosivos escondidos nos sapatos, exortou cerca de 200 jovens numa mesquita a "abraçar a morte e a cultura do martírio".
Sempre de acordo com o jornal, um pequeno grupo de jovens da cidade industrial de Luton, ao Norte de Londres, todos britânicos mas de pais paquistaneses, voltaram-se contra o país. Eles dizem que querem ver o premier Tony Blair mortou ou deposto e uma bandeira islâmica hasteada no número 10 da Downing Street (sede do governo). Eles chamam os seqüestradores de 11 de Setembro de "19 Magníficos" e vêem os atentados de 11 de março em Madri como forma inteligente de luta na Europa.
Seu líder, diz o jornal, é xeque Omar Bakri Mohammad, que prega em Slough, a Oeste de Londres. Ele diz que se a Europa não seguir o chamado de Bin Laden por uma trégua - que incluiria a retirada de tropas do Iraque - os muçulmanos "não se sentirão mais obrigados a evitar ataques a países que os hospedam".
"Todos os muçulmanos do Ocidente serão obrigados a tornar-se espadas nesta nova batalha. Europeus, fiquem atentos. É inútil lutar contra pessoas que querem a morte", disse Mohammad.
Guerra Santa preocupa a Europa, diz jornal americano
Segunda, 26 de Abril de 2004 às 07:10, por: CdB