Reg Keys é um homem com uma missão: impedir Tony Blair de ganhar a eleição na Grã-Bretanha.
O médico aposentado de 52 anos perdeu um filho no Iraque em 2003. Desde então, decidiu se lançar como candidato independente contra Blair para garantir que o premiê não esqueça a tragédia.
- Eu quero que Tony Blair reconheça sua fraude na guerra ao Iraque - disse Keys à Reuters ao iniciar sua campanha.
- Meu filho Tom acreditou no que ele (Blair) disse, mas Blair mentiu para ele e para todos os outros soldados que voltaram em caixões depois de combater em uma guerra ilegal e imoral.
Keys tem uma missão virtualmente impossível de derrubar Blair - na eleição de 2001, o líder do Partido Trabalhista obteve uma maioria de 17.713 em seu distrito eleitoral de Sedgefield, norte da Inglaterra.
Mas sua mera presença já é uma lembrança constrangedora de que o Iraque vai assombrar Blair antes da eleição, marcada para 5 de maio.
A decisão do líder britânico de apoiar a invasão liderada pelos Estados Unidos do Iraque virou o tema de seu governo de oito anos. A oposição doméstica já era grande quando a Grã-Bretanha foi à guerra. Mas a falta de uma paz no pós-guerra iraquiano e as acusações de que Londres exagerou as informações sobre o programa de armas de Saddam Hussein para justificar a guerra intensificaram as críticas e derrubaram a popularidade de Blair.
- É o sentimento de traição que está na raiz da raiva... até que o governo lide com isso, nunca vai estancar a lava de raiva que sai do vulcão do Iraque - disse o colunista do Independent Adrian Hamilton.
- Sem o Iraque, os Trabalhistas estariam melhor nas pesquisas e prontos a obter uma vitória fácil - disse o analista Peter Kellner.
- Por causa disso (da guerra), a disputa está mais acirrada e eles devem obter uma maioria bem reduzida.
Guerra no Iraque assombra campanha eleitoral de Blair
Segunda, 11 de Abril de 2005 às 12:36, por: CdB