No início da noite desta quarta-feira, traficantes de facções rivais enfrentaram-se, à bala, na parte alta da Rocinha, maior favela do Rio. Um grupo de cerca de 40 bandidos tentou invadir as áreas de venda de drogas da facção rival, que controla o tráfico na região, e o resultado foi a morte de uma criança de 12 anos, atingida por um tido no peito e, no mínimo, duas pessoas feridas. O confronto levou o medo e o pânico aos moradores, que deixavam suas habitações nas áreas conflagradas em busca de abrigo, ou trancavam-se dentro de casa na esperança de não ser atingidos.
Passavam poucos minutos das seis da tarde quando o grupo numeroso, vestido de preto e armado com fuzís automáticos, metralhadoras e pistolas, se fez passar por soldados do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) chegou à favela em quatro vans. Divididos em pequenos pelotões, eles avançaram pela Via Ápia, a principal do morro, pela Marquês de São Vicente e pelo alto, na mata. As explosões das granadas marcaram o início do tiroteio. Eles desativaram os transformadores de luz com vários disparos e o embate durou até às 21h.
Muitos moradores, que chegavam do trabalho, foram surpreendidos com a fuzilaria e não conseguiram chegar as suas casas, o que causou uma onda de tumultos no final da Estrada da Gávea. Cerca de 200 pessoas, entre elas crianças uniformizadas, homens e mulheres trabalhadores reuniram-se próximos à esquida na Rua Cedro, um dos principais acessos à Rocinha, na esperança de que a situação se acalmasse. Técnicos da Light, chamados a prestar atendimento à comunidade, não tiveram acesso aos locais atingidos.
Combate
Secretário estadual de Segurança Pública, o delegado federal Marcelo Itagiba afirmou que "os fatos ocorridos nesta quarta-feira na Rocinha são o reflexo de uma briga de quadrilhas pelos pontos de venda drogas na cidade e a polícia interveio, mais uma vez, para reprimi-las".
- A política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro é a do combate direto ao tráfico de drogas e resultou, nos últimos três anos, em mais de 60 mil prisões, entre as quais as 79 lideranças do tráfico, e na apreensão de mais de 45 mil armas nas mãos dos bandidos - disse.
Segundo Marcelo Itagiba, "é hora de dar um basta; ou a sociedade se une ao Estado nesse combate, ou o Brasil, em função da inexistência de uma política de segurança pública nacional, se tornará refém das drogas e poderá se tornar uma Colômbia".