Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Guerra divide UE

A guerra no Iraque causou cismas profundos na unidade européia. Não só os 15 países-membros dividiram-se em pró e contra: dentre os dez novos filiados, sobretudo os do leste - a "nova Europa", nas palavras de Washington - colocaram-se ao lado dos Estados Unidos. Para um dos pais da ampliação, o comissário alemão Günter Verheugen, a solução é olhar para a frente, evitando colocar os novos membros mais uma vez diante do difícil impasse. (Leia Mais)

Quarta, 16 de Abril de 2003 às 05:49, por: CdB

Originalmente a reunião pouco mais deveria ser do que um sessão de fotografia. Diante de um dos símbolos nacionais da Grécia, a Acrópole, os chefes de governo e de Estado da União Européia assinariam a adesão dos novos membros. A solenidade será mantida, porém ficou relegada ao papel de fachada: motivos mais urgentes ocupam agora as cabeças regentes do continente, o evento social teve que ser remanejado em encontro de cúpula de pleno direito. A guerra no Iraque causou cismas profundos na unidade européia. Não só os 15 países-membros dividiram-se em pró e contra: dentre os dez novos filiados, sobretudo os do leste - a "nova Europa", nas palavras de Washington - colocaram-se ao lado dos Estados Unidos. Para um dos pais da ampliação, o comissário alemão Günter Verheugen, a solução é olhar para a frente, evitando colocar os novos membros mais uma vez diante do difícil impasse. Segundo o Comissário para a Ampliação, a atitude se explicaria por uma "ligação muito forte, também emocional" com os EUA, de que os implicados não desejam abdicar. Afinal "não é antieuropeu ter boas relações com a América", pelo contrário. Importante seria evitar situações baseadas no aparente oposição: ou Europa ou Estados Unidos. Contudo, certas discussões serão praticamente inevitáveis. Segunda-feira em Luxemburgo, durante os preparativos para a reunião em Atenas, esboçou-se um novo ponto de conflito. A UE procura seu papel na reconstrução e ajuda humanitária no Iraque, e a maioria dos europeus é a favor de uma participação representativa da Organização das Nações Unidas (ONU). Um ponto de vista que Washington encara com reticência, no que conta com o apoio da Grã-Bretanha, Espanha e Dinamarca. Enfim: quão forte deve ser a presença da ONU no Golfo Pérsico? Fim de um capítulo histórico "Que os novos membros sejam muito bem-vindos à nossa família. Nossa nova Europa nasceu!". Com estas palavras, o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, saudou, em dezembro passado, a decisão de ampliar a União Européia, através da inclusão de mais dez países. Eles eram as ex-comunistas Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia e República Tcheca, além de Malta e Chipre, ambas ilhas do Mar Mediterrâneo. Rasmussen considerou assim encerrado o capítulo de duas avassaladoras guerras mundiais e da Guerra Fria: "Em seu lugar coloca-se a missão comum de uma Europa unida". De um ponto de vista mais sóbrio, o 1º de maio de 2004 significa o final de uma longa série de negociações, iniciada em 1993, e que deixou de fora a Romênia, Bulgária e Turquia. Para as três, assim como para a Croácia, cabe esperar até as portas do bloco europeu voltarem a se entreabrir: no fim de 2004 elas poderão candidatar-se para filiação em 2007. Parte desses dez anos foram consumidos por uma reforma dos estatutos da comunidade, a fim garantir sua eficácia, com 25 ou mais nações. Aboliu-se a exigência de unanimidade nas decisões: mantê-la, quando cada membro tem direito de veto em quase todos os setores, significaria a paralisia institucional. Foi igualmente necessário rever o capítulo das vultosas subvenções agrárias, que ameaçavam levar à ruína os cofres da UE. Os críticos da ampliação apontam para todos os esforços e custos envolvidos, assim como para os riscos de fracasso monumental. Contra estes, o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, sustenta o seguinte argumento: "Nenhum dinheiro paga o que ganharemos em termos de segurança e de crescimento econômico. Por isso, é tudo no interesse de nossos filhos e netos".

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