A disputa entre Estados Unidos e Europa acerca da concessão de subsídios para as fabricantes de aeronaves concorrentes Airbus e Boeing se intensificou neste sábado com uma troca de acusações e ameaças. A briga pode por em risco as relações diplomáticas dos dois blocos.
Os dois lados abriram processos na Organização Mundial do Comércio (OMC) no ano passado, mas decidiram por uma trégua de três meses no dia 11 de janeiro deste ano, na esperança de chegar a um acordo verbal.
O comissário de comércio da UE, Peter Mandelson, usando um linguajar inusitadamente brusco, rebateu as acusações dos EUA, de que Bruxelas estaria atrapalhando as conversações. Segundo ele, Washington é responsável pelo aparente colapso das negociações.
"Eu lamento esta ação unilateral de romper as negociações", disse Mandelson em um comunicado. "Estou feliz em retornar à mesa de negociações."
Segundo um representante da UE, na sexta-feira, o representante comercial dos EUA, Robert Zoellick, desligou abruptamente o telefone após uma conversa com Mandelson, que teria mencionado planos de um acordo passo-a-passo.
"Mandelson ficou surpreso com a maneira abrupta como tudo acabou. Foi um comportamento estranho entre parceiros e amigos", disse o oficial da UE que pediu o anonimato.
Segundo o porta-voz de Zoellick, Rich Mills, entretanto, foi Mandelson que encerrou a ligação.
A UE anunciou que, se Washington levar o caso de volta à OMC, irá reabrir seu processo judicial e insistirá em ajudar a Airbus a financiar o lançamento de seu novo modelo, o A350.