A barreira física que Israel constrói dentro da Cisjordânia será objeto de análise da Corte Internacional de Justiça na próxima semana, em meio a uma guerra de propaganda.
O tribunal, uma entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) localizada em Haia (Holanda), deve decidir se a obra é legal ou não.
Mas, depois que o bate-boca e as polêmicas tiverem passado, o palestino Omar Abu Farha, dono de um pequeno armazém, tem certeza de que o grande muro, que lhe tirou quase todos os clientes, vai continuar existindo ao lado da porta de sua casa.
Mesmo se a corte decidir pela ilegalidade da obra, essa decisão não poderá ser imposta. Os palestinos que vivem na sombra da barreira construída em território ocupado por Israel desde 1967 temem que o país simplesmente ignorará o resultado do julgamento.
``Nada vai mudar porque Israel nunca obedeceu às resoluções da ONU contra a ocupação'', afirmou Farha, 42, um entre as dezenas de milhares de palestinos isolados de mercados, serviços e terras aráveis devido à barreira física.
Do outro lado dela, a estudante israelense Leona Silbertein cuida do namorado, ferido em um atentado suicida em Jerusalém. Para ela, a audiência sobre o conjunto de cercas e muros é uma lástima.
``Meu namorado poderia ter morrido no atentado do ônibus. Quem são esses juízes para julgar nossos problemas depois de centenas de ataques terroristas?'', perguntou.
O governo de Israel não participará da audiência e apenas enviará para Haia o esqueleto do ônibus atingido em Jerusalém e um grupo de porta-vozes para conversar com jornalistas.
O Estado judaico alega razões de segurança para construir a barreira. Os palestinos acusam-no de tentar apropriar-se ilegalmente de terras que lhe pertencem.
Vários protestos e encenações, a serem realizados dos dois lados, estão previstos para acontecer em Haia.
Mas, em Abu Dis, uma cidade da Cisjordânia separada de Jerusalém Oriental (parte árabe da cidade) por um muro de 8 metros de altura, os palestinos duvidam que esse alvoroço todo sirva para diminuir seus sofrimentos.
``Mesmo que a corte declare o muro ilegal e o caso vá para o Conselho de Segurança da ONU, os EUA vão vetar qualquer ação contra Israel'', afirmou Umm Fares Gazali, separado pelo muro de sua mãe idosa, que vive em Jerusalém.