Os fluxos de capital para a América Latina devem diminuir e o crescimento econômico na região deverá sofrer uma redução, depois dos ataques aos Estados Unidos na semana passada. Os recentes acontecimentos evidenciaram as perspectivas de uma recessão americana e levaram os investidores na América Latina a olhar com cautela para os mercados da região. Depois dos ataques, segundo observam os analistas, os mercados internacionais de capital se fecharam completaram para os empréstimos aos mercados emergentes. BRASIL O Brasil, que tem a maior economia latino-americana, já levantou todo o capital necessário para este ano, mas caso persistirem as incertezas advindas da chamada "guerra ao terrorismo", anunciada pelo presidente americano, George W. Bush, o financiamento a longo prazo da economia brasileira ficará em risco. "Quanto mais durarem as incertezas será pior para o Brasil, não apenas porque os investimentos externos diretos vão ser reduzidos e pelo impacto negativo causado pelo fato de o país ser um importador de petróleo", afirmou Túlio Vera, estrategista de mercados emergentes da Merril Lynch. "Além disso, as incertezas poderiam complicar a próxima eleição presidencial, prevista para 2002", completou. Além desses fatores, os ataques aos EUA também pressionaram o real, que já desvalorizou 28 por cento este ano e cujas baixas de cotação estão batendo recordes. O perfil da dívida pública brasileira é vulnerável às taxas de juros e às flutuações da moeda. "E um cenário com um câmbio fraco e um fluxo menor de investimentos diretos traz menos crescimento", afirmou Camila de Faria Lima, economista do divisão de investimentos do Banco Santander, em São Paulo. Desde o final do ano passado até o último dia 10 de setembro, o valor da dívida brasileira caiu 2 por cento. Desde os ataques, o valor dos títulos brasileiros caiu 4 por cento. Se a situação piorar, o país pode recorrer ao empréstimo de 15 bilhões de dólares, fechado recentemente com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, o governo ainda não decidiu se vai recorrer a esses recursos para aliviar o impacto econômico dos acontecimentos da semana passada. ARGENTINA Desde a semana passada, investidores e os credores colocaram os enormes problemas econômicos argentinos em segundo plano. De acordo com os analistas, o FMI vai precisar desviar a atenção para outras regiões. As negociações sobre reestruturação da dívida argentina vão ter menos prioridade e as perspectivas para uma nova ajuda do FMI parecem sombrias. "A possibilidade de uma reestruturação da dívida argentina deve depender de uma mudança nas prioridades dos EUA", afirmou o BNP Paribas numa nota distribuída a seus clientes. "A maior pressão sobre a Argentina deve novamente vir dos seus mercados locais, sobretudo se os investidores locais transferirem o capital que está no país para lugares mais seguros no exterior", completou a nota. Desde o final do ano passado até o último dia 10 de setembro, o valor dos títulos argentinos caiu 21 por cento. A partir desta data até esta quarta-feira, os títulos tiveram uma queda de 3 por cento. Segundo os analistas, uma queda nos depósitos bancários e nas reservas de dinheiro e ouro poderia levar a taxas de juros ainda maiores e, possivelmente, ameaçar o regime de convertibilidade que vincula o peso ao dólar americano numa paridade de um para um. CHILE O Chile também é vulnerável a uma redução da economia americana e seus efeitos negativos sobre o comércio internacional. As autoridades temem que um possível conflito poderia desviar a atenção dos Estados Unidos das negociações sobre o planejado acordo de livre comércio entre os dois países, considerado por Washington como um modelo para um eventual acordo comercial que envolva todo o hemisfério. COLOMBIA A Colômbia --assim como o México-- depende do grande mercado importador americano: metade das exportações colombi
Guerra ao terrorismo traz previsões sombrias para América Latina
Analistas do mercado internacional consideram "sombrias" as previsões para os países da América Latina, após os ataques de terroristas a alvos civis e militares nos EUA. Quanto mais tempo durar a revanche dos norte-americanos, pior para o Brasil
Quinta, 20 de Setembro de 2001 às 07:38, por: CdB