Sete adolescentes morreram em um incêndio num centro de detenção para menores no Piauí, após guardas ignorarem os pedidos de socorro deles ao não abrir a cela onde estavam, denunciaram grupos de defesa dos direitos humanos na sexta-feira.
Os adolescentes, com idades entre 15 e 17 anos, começaram o incêndio na cela no dia 8 de maio, em uma tentativa de iniciar uma rebelião para conseguirem passar o Dia das Mães em suas casas. Segundo os grupos, o fogo ficou fora de controle e acabou por queimar os rapazes.
"Os meninos gritaram muito, mas ninguém veio socorrê-los de imediato... Isso é comum no sistema", disse Teresa Cristina Franco, ativista de direitos humanos no Piauí.
Os cinco grupos de defesa dos direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, disseram que o incidente foi o pior em um centro de detenção para menores do Brasil em muitos anos e reflete a negligência e o abuso aos direitos das crianças cometidos por parte das autoridades nesses locais.
Ninguém no centro de detenção em Teresina estava disponível para comentar o incidente.
Para Ariel de Castro, que trabalha para o Movimento Nacional de Direitos Humanos, esse foi o pior caso que ele viu nos dez anos que trabalha na área.
"Foi um massacre... A suspeita recai sobre os guardas, o Estado é responsável por qualquer um que esteja sob sua custódia", disse.
O incidente fez com que os grupos de defesa dos direitos humanos enviassem uma carta aberta ao governo brasileiro, à ONU e à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Eles também pediram a participação de observadores independentes nas investigações do caso.
A carta afirma que os abusos cometidos em centros de detenção para menores é amplamente praticado no Brasil e que inclui a tortura. No ano passado, centros de detenção juvenis em São Paulo registraram 12 mortes. Ninguém foi punido por nenhuma delas.