Congressistas norte-americanos que acabaram de regressar do campo de prisioneiros criado pelos EUA em Guantánamo, em Cuba, disseram que a instalação parecia-se com um local de veraneio.
Membros do Partido Democrata, da oposição, porém, protestaram na quarta-feira a respeito de uma "operação abafa" em uma audiência depois de terem sido impedidos de ouvir o depoimento de um advogado dos homens detidos em Guantánamo.
Oficiais militares da base naval onde fica a prisão disseram à Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Representantes (deputados) que detentos bem alimentados haviam engordado até 3 quilos e descreveram como legais os interrogatórios realizados ali.
Mas, segundo os democratas, os republicanos haviam impedido um advogado dos detentos de depor na comissão, apresentando assim uma visão parcial sobre a prisão de Guantánamo, na qual mais de 500 homens são mantidos como suspeitos estrangeiros de terrorismo.
"Acho que deveríamos ouvir as pessoas que estão lidando com os detentos lá, e não apenas as pessoas do nosso lado da cerca", afirmou a deputada democrata Ellen Tauscher.
"Não acho que essa estratégia de abafar o caso o resolverá", disse a congressista após a audiência.
Vários membros da comissão visitaram Guantánamo no final de semana como parte dos esforços do Pentágono para responder às pressões que exigem o fechamento do local.
Os congressistas, democratas e republicanos, disseram que as condições de vida ali eram melhor do que esperavam.
"Acho que conseguimos afastar as alegações que considero mais irresponsáveis", afirmou o republicano Duncan Hunter, presidente da comissão da Câmara dos Representantes.
A deputada Madeleine Bordallo, democrata, afirmou que a prisão se parecia "mais com um local de veraneio" e que gostou de algumas das refeições dadas aos detentos.
A Anistia Internacional afirmou que a prisão de Guantánamo é um gulag dos tempos modernos, e que a prisão é um símbolo de ódio contra muitos muçulmanos.
Apesar de os democratas terem reconhecido que as condições de vida em Guantánamo haviam melhorado, ainda cobram do governo que reconheça os erros cometidos anteriormente e que determine como julgará os presos.