Os grupos militantes palestinos dizem que pretendem cooperar com o recém-eleito presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, mas que não vão abrir mão da luta armada contra Israel.
- Vamos trabalhar com Mahmoud Abbas, num período delicado que está por vir - disse o porta-voz do Hamas Mushir al-Masri.
Ele acrescentou, porém, que qualquer tentativa do novo líder de promover uma trégua na intifada depende do fim das ações militares israelenses.
- Vamos continuar no caminho da resistência e da jihad (guerra santa). Não falaremos em cessar-fogo enquanto cresce a violência de Israel. Continuaremos os ataques com foguetes Qassam, disparando e resistindo - afirmou Al-Masri.
Telefonema
O principal líder do Hamas na Cisjordânia, Hassan Youssef, telefonou ao presidente eleito para felicitá-lo pela vitória.
- Nós respeitamos a escolha do povo palestino, mas não devemos esquecer que ele obteve apenas (cerca de) 65% dos votos e que apenas (cerca de) 60% dos que têm direito a voto participaram da eleição - afirmou.
Segundo ele, "esse números mostram o tamanho do Hamas e o apoio à sua decisão de boicotar a eleição".
As duas principais organizações islâmicas de oposição nos território da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, não participaram da eleição e pediram aos seus seguidores que boicotassem o pleito.
O líder do Jihad Islâmico na Faixa de Gaza, Mohammed al-Hindi, disse à agência de notícia France Presse que, "enquanto houver ocupação, o Jihad Islâmico continuará com a resistência".
Brigadas
As Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, milícia vinculada ao partido Fatah de Mahmoud Abbas, também afirmou em um comunicado que suas ações armadas vão continuar.
- A resistência é um direito nacional e a estratégia enquanto a ocupação de nossa terra continuar.
Zakaria Zubeidi, líder das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa em Jenin, afirmou:
- Não discordamos de Abu Mazen (apelido de Abbas) no que se refere à defesa do povo palestino, mas discordamos sobre os métodos usados e o momento.
Zubeidi afirmou que seu grupo apenas obedeceria ordens do novo governo palestino para depor as armas caso Israel se engaje num processo de paz e suspenda primeiro suas atividades militares.
O militante disse ver os ataques armados como ações legítimas.
- A questão é a ocupação e a violência é a ocupação. Nunca vi na minha vida ninguém se libertar hasteando bandeiras brancas.
A oposição desses grupos é um dos principais desafios para o sucesso do governo de Abbas, que é pressionado por Israel e pelos Estados Unidos a conter os ataques militantes para dar chance ao processo de paz.
Grupos palestinos dizem que luta armada continua
Segunda, 10 de Janeiro de 2005 às 14:43, por: CdB