Grupos humanitários que atuam no Haiti pediram às empresas que doem dinheiro para ajudar as vítimas do terremoto, em vez de itens como roupas e tendas, que não podem ser distribuídas ainda devido à extensão da devastação.
As entidades tentam atender às necessidades mais urgentes, como água e remédios, e manter o espaço aéreo haitiano liberado para receber esses produtos.
Aviões cheios de mantimentos chegavam na quinta-feira ao aeroporto de Porto Príncipe num ritmo mais rápido do que os funcionários em terra conseguiam descarregá-los. As autoridades aéreas haviam restringido a chegada de voos não militares do espaço aéreo dos EUA, temendo que os aviões ficassem sem combustível enquanto esperavam para pousar.
– Este não é o momento de lançar um contêiner de blocos de cimento ou telhas na pista. Precisamos fazer primeiro as primeiras coisas, e estamos em modo de auxílio de emergência –, disse David Owens, vice-presidente de desenvolvimento corporativo do grupo humanitário World Vision.
O tremor de magnitude 7,0 que devastou o país mais pobre das Américas, na terça-feira, destruiu milhares de casas, interrompeu as telecomunicações, bloqueou estradas e deixou o principal porto marítimo do país sem condições de uso. A Cruz Vermelha local estima que entre 45 mil e 50 mil pessoas tenham morrido, e que haja 3 milhões de feridos e desabrigados.
Empresas como Lowe's Cos, Google, Morgan Stanley e Goldman Sachs anunciaram doações de 1 milhão de dólares cada, mas grupos humanitários dizem que ainda precisam de muitos outros milhões.
– Neste momento, 12h (de quinta-feira) na Costa Leste dos EUA (15h em Brasília), tivemos 2,5 milhões de dólares em doações – disse Anne Duffy, porta-voz da World Vision.
– Nossa meta de arrecadação (nos EUA) neste momento é de US$ 20 milhões – disse.
O presidente Barack Obama anunciou o envio de tropas e equipamentos militares ao Haiti, e disse que o governo dos EUA vai gastar 100 milhões de dólares no auxílio imediato às vítimas.
– Estamos dizendo às pessoas e corporações que é mais importante darem dinheiro, e então vamos descobrir quais são as necessidades mais imediatas – disse Joy Portella, diretor de comunicações da entidade Mercy Corps.
– É duro jogar um monte de coisas num ambiente quando você não sabe exatamente o que é necessário – afirmou.
Grupos humanitários no Haiti pedem dinheiro, não produtos
Sexta, 15 de Janeiro de 2010 às 09:08, por: CdB