Alguns dos países mais ricos da União Européia mostram-se avarentos quando se trata de auxiliar os países mais pobres do mundo, disseram grupos de ajuda europeus nesta segunda-feira.
Em um relatório, os grupos Action Aid, Eurodad e Oxfam disseram que países como a Alemanha e a Itália esforçam-se pouco para atingir a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir a pobreza do mundo em um terço até 2015.
Apenas quatro países-membro da UE cumpriram a promessa feita em 1970 de doar 0,7% de sua Renda Nacional Bruta (RNB) para ajudar outros países.
- Os outros 21 membros da UE ainda têm de percorrer um longo caminho até cumprir suas promessas. Não há desculpa para isso. A Itália é um dos países mais ricos do mundo. Ainda assim, gasta apenas 0,17% de seu RNB em ajuda - disseram os grupos.
O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, líder da maior economia da UE, foi criticado ao dizer no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a Alemanha chegaria aos 0,7 do RNB em doações a "médio prazo".
- No ritmo atual, a Alemanha só atingirá os 0,7% em 2087, o que é algo distante para ser classificado como 'médio prazo - disse o relatório.
Segundo os grupos de ajuda, países-membro da UE como Luxemburgo, que doa 0,8 por cento do RNB em ajuda, e a Suécia, que também cumpriu a meta de doar 0,7 por cento do RNB, mereciam receber "estrelas de ouro" por seus esforços.
Os grupos também elogiaram a Holanda, que doa 0,81% do RNB, mas disseram que o país arriscava-se a deitar abaixo seus esforços - o governo holandês estuda a possibilidade de computar como gastos com ajuda as contas da previdência social.
A Dinamarca, o país-membro da UE que mais doa (0,84% de sua RNB), foi elogiada. Mas os grupos de ajuda mostraram-se preocupados com a tendência de queda nas doações (em 2001, o país gastou 1,03% de sua RNB em doações).